Angela Vieira: "A tal da inveja é uma porcaria"

Para lidar com olho-grande, como o da Lígia, de 'Pega Pega´, ela receita: só partilha planos com os íntimos

Por Daniel Vilela

'Adoro fazer rir, mas também curto um bom drama', diz a estrela | <i>Crédito: Cadu Pilotto
'Adoro fazer rir, mas também curto um bom drama', diz a estrela | Crédito: Cadu Pilotto
Quem vê a dondoca Lígia em Pega Pega, vivida com maestria por Angela Vieira, acha até que está diante de uma rosa em forma de mulher. Olha, a perua pode até ser uma flor, mas também tem lá os seus espinhos. E daqueles cheios de veneno! “A moça é danada”, dispara às gargalhadas a atriz, que coleciona mais de 40 papéis em novelas e séries na TV, sem contar os trabalhos marcantes no cinema. 

Agora, Angela se diverte, mesmo, com as armações de sua perigosa perua. Ela fará de um tudo para acabar com a felicidade de Sabine (Irene Ravache), que lhe roubou o amor de Pedrinho Guimarães (Marcos Caruso) no passado. “No fundo, a Lígia é uma baita de uma invejosa”, decreta. 

Por falar no pecado capital, aos 65 anos, Angela, sim, é de dar inveja. Ainda conserva a beleza, a postura e a elegância do início da carreira, quando triunfou como bailarina do Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro no início da década de 1970. Dos palcos para a TV foi um pulo e logo a beldade estava fazendo participação em humorísticos como O Planeta dos Homens (1978) e Chico Anysio Show (1979). “Adoro fazer rir, mas também curto um bom drama”, comenta a dona de vilãs inesquecíveis como Janete, de Terra Nostra (1999), e Branca de Em Família (2014). 

Bem resolvida, e sem tempo para perder cuidando da vida dos outros, Angela prefere cair em tentação de outra maneira. Exercita sua gula comendo uma boa feijoada e tenta driblar a preguiça fazendo o que mais gosta: dançando. “Tudo com moderação, viu?”, brinca a dedicada mãe de Nina Frota, de 31 anos, fruto do relacionamento com o ator Roberto Frota. Contudo, atualmente, Angela curte a vida a dois ao lado do cartunista Miguel Paiva, de 67 anos. 

TITITI – Mas que megera essa sua Lígia! Nem mesmo a filha, Maria Pia (Mariana Santos), escapa do veneno dela!!! 
Angela Vieira – Lígia não é feliz com a aparência da filha, a criou para casar, de preferência com um multimilionário, e não para ser executiva. Ela tem tudo, mas quer mais. É bem ambiciosa. Diria até que invejosa. Sobretudo quanto a Sabine (Irene Ravache), por quem foi trocada por ela pelo Pedrinho Guimarães.

TITITI – Seria uma vilã? 
Não é uma personagem antipática, tem até uma pegada de humor, mas é entojada (risos). Ela se irrita profundamente com a falta de ambição da família, quer ajudá-la a ter ainda mais do que já tem. 

TITITI – Inspirou-se em alguma recalcada para compor o papel? 
Que é isso, não tive esse intuito (gargalhadas)! Não acredito que a novela tenha se baseado em fatos reais, mas acho, sim, que todos os personagens são críveis e reconhecíveis. 

TITITI – Como lida com a inveja? 
A tal inveja é uma porcaria! Nunca tem seu lado positivo. Então, gente, vamos nos ocupar da nossa vida e deixar a dos outros um pouco de lado. Senão, aí mesmo que ela não segue em frente. 

TITITI – Tem receita para se livrar de invejoso? 
Saio correndo de perto! Se não dá, mudo o rumo da prosa na hora. Sempre tem um jeitinho de escapar deles (risos)! 

TITITI – O silêncio é o segredo para se livrar do chamado mau-olhado? 
Creio que sim. Na vida, nem todo mundo é amigo. Existe muito colega por aí. A convivência, claro, deve ser a melhor possível, mas as coisas mais íntimas você deve guardar para os poucos e bons! 

TITITI – Tamanho do papel importa a você? 
Pode parecer clichê, mas ele não precisa ser grande, tem que ter é qualidade. Não importa se é cheio de humor ou drama sem fim. A personagem tem que ser boa! 

TITITI – O que acha do empoderamento feminino? 
Não aguento mais essa palavra, mas a gente ainda tem muito que lutar, correr atrás... A mulher ainda vai batalhar muito para se equiparar no mercado de trabalho. Mas a questão que mais me preocupa é o que vai acontecer com a gente. Estamos à deriva. Desde a ditadura que não víamos nosso país em uma situação tão ruim. Sinto medo do amanhã. 

TITITI – E de onde vem tanta elegância, hein, dona Angela?
O mais importante é conhecer seu corpo e, honestamente, se olhar no espelho e saber o que lhe cai bem. Às vezes, tenho vontade de usar uma roupa maravilhosa, mas sei que ela só ficaria bem no corpo de outra pessoa. Talvez uma mais magra, mais reta, que adoraria ser, mas não rolou (risos). Sou uma bem mulher brasileira, então procuro adequar as peças ao meu biótipo. 

TITITI – Como define seu estilo? 
Sou clean, quase monocromática. Aposto em cor só às vezes. As peças no meu armário são basicamente brancas, marrons, pretas e azuis-marinhos. 

TITITI – Cuida-se muito? 
Ah, digo que tomo conta da minha saúde. Mas não é de hoje, e sim algo que vem desde quando era bailarina clássica. Como corretamente, evito frituras, muita gordura, tento não cometer exageros. Procuro balancear um pouco. Adoro uma feijoada, mas não dá para comer todo dia, né? 

TITITI – Tem alguma rotina de exercícios? 
Esquece esse negócio de pilates, de musculação (risos). Faço aulas de dança até hoje, em que combino alongamento com toda base que a formação clássica me proporcionou.

04/08/2017 - 08:43

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