Fabiana Escobar: "Mesmo tendo Caio, ainda torço para Bibi ficar com o Rubinho!"

A Bibi Perigosa da vida real, hoje escritora, lembra sua história, que, nas mãos de Gloria Perez, faz o país parar diante da TV a cada capítulo de 'A Força do Querer'

Por Daniel Vilela

A escritora Fabiana Escobar e Juliana Paes: as 'Bibis', a da vida real e a grande intérprete da personagem | <i>Crédito: Divulgação/Instagram
A escritora Fabiana Escobar e Juliana Paes: as 'Bibis', a da vida real e a grande intérprete da personagem | Crédito: Divulgação/Instagram
Prestes a se formar em serviço social, Fabiana Escobar, 36 anos, precisou jogar tudo para o alto quando o então marido, Saulo de Sá Silva, foi preso como chefe do tráfico. Chegou a esconder dinheiro em uma falsa barriga de grávida, foi flagrada em festinha no presídio e até mesmo tratada como a Baronesa do Pó, na Rocinha, uma das maiores comunidades cariocas. Hum, a história não soa familiar? Claro, a escritora é a inspiração de Gloria Perez para criar a trama de Bibi, vivida por Juliana Paes, em A Força do Querer. “Nunca tive dúvidas de que a história iria chamar a atenção e causar polêmica”, dispara Fabiana em entrevista à TITITI. 

Quanto às comparações... “A única coisa que não existiu na minha história foi um Caio (interpretado na ficção por Rodrigo Lombardi)”, conta ela, que, apesar de ter chegado até o limite por conta de um amor bandido, diz que não se acanharia caso um Lombardi atravessasse sua vida. “Ainda acredito no amor, mas estou solteira e à espera de um corajoso”, revela, aos risos, ela que traduziu sua vida em um livro, Perigosa, após o incentivo de Gloria. As duas se conheceram enquanto a novelista buscava histórias para Salve Jorge (2012). 

Agora, ela segura as lágrimas ao relembrar sua história na telinha. “Tenho a sensação de que estou ao lado de Juliana Paes em cada cena”, pondera ela, que se separou de Saulo em 2010, após descobrir que o marido, na cadeia, se correspondia com outra mulher. Amigos de infância, os dois passaram 14 anos juntos e são pais de Celso, 20 anos, e Dalila, 18. “Várias vezes meus filhos fizeram perguntas que eu não sabia como responder”, conta. “Uma vez o mais velho me perguntou se, quando tivesse um filho, deveria colocar um sobrenome verdadeiro ou falso.” 

Sincera, e sem papas na língua, Fabiana relembra sua trajetória e admite: até para ela, é difícil dar conselhos a quem quer se livrar de um relacionamento abusivo como ela enfrentou. “Às vezes, a pessoa precisa passar por isso”, considera. 

Contudo, hoje, a ex- “Baronesa” diz que aprendeu que a pessoa a quem mais precisa amar é ela mesma. “Sentia muita pena do Saulo, lá preso, mas não via a minha própria desgraça. Às vezes, é preciso dar um passo para trás e enxergar nossa vida de fora”, aconselha ela. 

TITITI – Muitas mulheres que estão com o seu marido preso, assim como aconteceu com você e a Bibi, a procuram para trocar figurinhas? 
Fabiana Escobar – Sim, desde a época em que eu mantinha o blog. Mas a proporção aumentou muito depois da novela. Aliás, elas me avisaram que a trama é o assunto que mais Tenho a sensação de que estou ao lado de Juliana Paes em cada cena rende nas visitas (aos companheiros)! Também me contam um pouco sobre sua vida, me pedem conselhos, algumas querem parar de visitar os parceiros na prisão e não sabem como. São histórias felizes e também trágicas. Recentemente, recebi uma pesadíssima de uma delas, que quase morreu em uma chacina por conta do marido detento. 

TITITI – Deu para juntar uma grana enquanto vivia como Baronesa do Pó? 
Quando saí dessa vida, não recomecei do zero, foi do -5 (risos). Nunca juntei dinheiro, porque queria mesmo era ficar ao lado do Saulo, jamais imaginei que um dia pudesse ir embora ou vê-lo morrer. Não tinha maldade. Nunca quis me dar bem em cima de ninguém. Ele nunca foi o meu pé-de-meia. 

TITITI – Em cena recente, Bibi falou para Rubinho (Emilio Dantas) que se tivessem uma filha seria Dalila, nome de sua primogênita. Gostou da homenagem? 
Me dá vontade de chorar até agora, porque foi falado de um jeito tão bonito... Minha mãe (Fátima Escobar, de 66 anos) chorou muito, todo mundo ficou bastante emocionado. Lembrei de tudo que passei. 

TITITI – Em algum momento não conseguiu assistir às sequências da novela pelo envolvimento emocional? 
Sempre choro e até perco o ar assistindo. O início foi bastante sofrido, sim. Sobretudo, as cenas da prisão do Rubinho. Passei mal, fiquei com a sensação de que iria acontecer alguma coisa, como se fossem arrombar minha porta novamente a qualquer momento. Chorei demais com as cenas em que ele vê o Dedé (João Bravo) pelo celular. Pesado.

TITITI – Sua mãe é como a Aurora (Elizangela)? 
Ela é só um pouco mais brava (risos). Do resto, é idêntico. Sempre me chamou para a razão, me mostrando a vida que estava jogando para o alto. Nunca saiu do meu lado, sempre tentou proteger a mim e aos netos. 

TITITI – Curtiu ver a Juliana Paes a representando na ficção? 
Ela é linda demais, é uma versão gold da Bibi (gargalhadas). Sempre gostei do jeito dela, é bem carioca, fala como uma tijucana, gesticula e dança horrores. Nisso é bem igual. Nunca tive dúvidas de que iria fazer bem o papel.

TITITI – Como conheceu o Saulo?
Ele foi aluno da minha mãe na 4ª série (hoje 5º ano do Ensino Fundamental). Crescemos juntos e, com 12 anos, era louca, apaixonada por ele. Mandava bilhetinhos, correio do amor em festa junina, mas Saulo não queria nada comigo porque eu era muito pirralha. Quando nos reencontramos, eu já com 16 e ele com uns 19, foi lá para casa passar um final de semana e nunca mais partiu (risos). Quer dizer, só foi embora em 2010, preso, depois de cinco anos. 

TITITI – Era igual o Rubinho? 
Bem parecido. Fazia essas homenagens desde sempre e, depois, foi aumentando cada vez mais. Ele se superava! Eram bilhetinhos, fogos de artifício, carro de som, flores, cartas e mais cartas de amor.

TITITI – Ainda mantém contato?
Desde que me separei, em 2010, nunca mais nos falamos. Me separei por carta, porque não queria ter essa discussão. Queria me poupar e também a ele. Já trocamos farpas, recados malcriados, mas bem no início. Agora, não mais. 

TITITI – Arrepende-se de tudo o que enfrentou por ele? Adianta? 
Não. Não me arrependo de nada. Não tem como! Tem o que vivi e o que sou hoje. O que posso fazer é mostrar que não farei mais nada disso. Mas, na época, não tinha opção de fazer ou não tudo isso. Não tinha olhos para outras coisas. Era só eu, ele e acabou. 

TITITI – Torce para Bibi ficar com o Caio? 
Mesmo tendo o Caio, ainda torço para a Bibi ficar com o Rubinho... Para você ver o quão sem-vergonha que sou (gargalhadas). Quero que ele se regenere, mas é complicado. Só se a novela terminar em dezembro e ele ficar anos e anos preso para ver se aprende. 

TITITI – Seus filhos sofreram muitas ameaças de bandidos?
Sim, queriam me pegar enquanto os levava para a escola, então não andava muito com eles pela rua. Contei com a bondade de traficantes para não fazerem nada contra eles. Precisava acreditar que não iriam prejudicá-los. Afinal, até no crime tem que ter ética. 

TITITI – Como foi criá-los em meio a essa tensão?
Eles foram muito fortes. Tudo o que a gente precisava, eles faziam. Trocaram de escola, sofriam com o preconceito das mães dos amiguinhos, acordavam com a polícia arrombando a porta. Até viajar 3 mil km de carro, levando o cachorro com a gente, toparam. Não reclamavam, mas já os vi chorar várias vezes. Foi bem sacrificado para os dois. 

TITITI – Chegou a ser presa também, a responder processo criminal?
Fui processada por associação ao tráfico, mas não condenada. Também nunca fui presa. 

TITITI – O que você faz da vida hoje?
Sou escritora. Além do Perigosa (livro autobiográfico), tenho mais duas obras, inclusive uma infantil, e estou me preparando para lançar mais uma. Além disso, possuo um grupo de cinema na Rocinha chamado Rociwood. Sou roteirista. Já ganhamos prêmios com um de nossos curtas e agora filmamos o primeiro longa-metragem, O Vale dos Espíritos, uma história de terror.

07/08/2017 - 08:15

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