Mateus Solano: 'Fazer o mocinho dá uma enxaqueca, né?!'

O ator, que fez vilões antológicos, brinca com a deliciosa 'encrenca' de viver um herói na nova trama global das 7

Por Daniel Vilela

'O dinheiro, em si, não traz felicidade, e sim alegria rasa', diz o galã, sobre o limite da ambição. | <i>Crédito: Cadu Pilotto/TV Globo
'O dinheiro, em si, não traz felicidade, e sim alegria rasa', diz o galã, sobre o limite da ambição. | Crédito: Cadu Pilotto/TV Globo
De olho no alto das escadarias do Carioca Palace, luxuoso hotel construído nos Estúdios Globo, no Rio, e que serve de cenário para Pega Pega, a atriz Paula Braun se derretia pelo marido, Mateus Solano. Afinal, lá estava ele recentemente, durante uma festa, para falar à imprensa sobre seu novo desafio, que é dar vida ao empresário Eric Ribeiro na nova novela das 7 e que estreou no dia 6. “Como você está bonito hoje”, elogiou Paula, batendo palmas para o ator, que, prontamente, rebateu. “Você é que está um espetáculo!”, disparou o astro para sua companheira há quase nove anos. Eles, que atuaram juntos em Amor à Vida (2013), festejam suas duas “grandes produções”. Trata-se dos filhos Flora, de 6 anos, e Benjamin, 2. “Fazer o mocinho dá uma enxaqueca, né?!” O ator, que fez vilões antológicos, brinca com a deliciosa “encrenca” de viver um herói na trama global das 7. 

Por pouco, Mateus não emplaca o terceiro vilão consecutivo após o maldoso (mas também divertido) Félix na trama de Walcyr Carrasco e o criminoso Rubião de Liberdade, Liberdade (2016). E garante que Eric foi salvo pelo gongo. “Ele substituiu o lado emocional pelo trabalho, seu grande companheiro depois da morte da mulher. Mas isso dura muito pouco, já que no primeiro capítulo conhece Luíza (Camila Queiroz)”, justifica- se, lembrando que o personagem volta, de vez, para o lado bom da vida. “Um grande amor vai lhe ensinar: mais importante do que vender é manter”, pondera o galã, que virou amigo de Camila nos bastidores. “Nos divertimos muito”, garante o intérprete, que também quebra um de seus “recordes” pessoais ao lado de Vanessa Giácomo. “Não tem para ninguém, ela é a recordista, já que é a minha quarta novela com ela”, gaba-se o brasiliense, ao enumerar os “encontros felizes” que a primeira trama de Cláudia Souto lhe proporcionou. “Sempre tenho vontade de trabalhar com o Marcos Caruso, por exemplo. Ele acabou de me dirigir no teatro e estamos juntos de novo”, finaliza.

TITITI – Você está de volta ao time dos mocinhos, com o Eric... Eles são mais complicados de interpretar do que os vilões? 
Mateus Solano – Fazer o mocinho dá uma enxaqueca, né (gargalhadas)?! Tem esse preconceito, vamos dizer assim. Mas não trato os personagens a partir de rótulo, seja o de herói, vilão, gay, gêmeo. É um ser humano e, como qualquer um de nós, um indivíduo mágico. Minha paixão é buscar isso.

No entanto, dependendo do carisma do personagem mau, algumas pessoas podem acabar torcendo por ele, não? 
Mas a gente não pode virar um vilão no dia a dia. Sempre bati nessa tecla, especialmente na época do Félix. Ele fazia sucesso porque dizia tudo o que a gente não pode normalmente. Todo mundo tem vontade de soltar algumas verdades, de descontar a raiva em quem não tem nada a ver com ela...

Verdade que seu herói Eric, vai parar em cana? 
Sim e as cenas da prisão dele são legais porque tocam, justamente, nos privilégios de um poderoso na detenção, ainda que de forma leve. O Eric não terá de lidar apenas com o fato de ter sido preso injustamente, mas as regalias que não deveriam existir. Não é alguém que curte uma garrafa de espumante no xadrez, mas é alguém com um caráter bacana.

Como tem sido a parceria com a Camila Queiroz?
 Ela é uma fofa, uma querida! Criamos uma afinidade durante a preparação para os papéis. É bacana esse trabalho porque não dá para chegar, dizer oi e gravar uma cena de beijo (risos). Antes, a gente nem se olhava no olho direito. Agora está sendo demais.

O amor pela Luiza, papel da atriz, permitirá a Eric dar uma guinada, certo? 
O Eric faz dinheiro comprando imóveis bem baratinhos e vendendo, depois, pelo dobro do preço. E é assim que também lida com a vida. Tudo é tratado como descartável. Mas quando se apaixona completamente pela Luiza, percebe: é para isso que se vive, não apenas para ganhar dinheiro.

Essa relação também vai ajudá-lo a lidar com a rebeldia da filha, Bebeth (Valentina Herszage)? 
Sim, porque depois da morte da primeira mulher dele, o verdadeiro Eric se escondeu por trás dessa aparência de um jovem viúvo ambicioso. Talvez, assim, ele consiga ter estofo emocional para lidar com o trauma da filha em relação à partida da mãe.

Então, na novela acontece o roubo de 40 milhões de dólares e os ladrões não saberão o que fazer com a grana, por motivos que saberemos no decorrer da história. E você, faria o que com uma bolada dessas? 
Um teatro, traria as pessoas para dentro dele... Um centro cultural, na verdade, para lembrar a todos que, sem cultura, somos bichos, que nem todos os outros. E não humanos.

Seria mais feliz com uma grana assim? 
O dinheiro, em si, não traz felicidade, e sim uma alegria rasa.

Ainda é importante falar de ética com o país do jeito que está, com tantos escândalos? 
Há 500 anos é importante falar disso. A gente vive em um momento tão complicado que dá pano para muita manga. Tudo o que está acontecendo é uma forma de nos fazer parar para pensar, nos policiar em relação a muita coisa que acontece ao nosso redor, ficar ligado nesse tal “jeitinho brasileiro”.

Qual o limite da ambição? O outro, né? 
Tudo o que for feito em benefício próprio, quando esbarra nos direitos, no bem-estar de alguém, é sinal de que se passou do limite.

09/06/2017 - 07:34

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