Bianca Bin: “O que se planta, se colhe. Se não for aqui, será em outras vidas!”

Conheça mais sobre a bela protagonista de O Outro Lado do Paraíso...

Jovem simples e bonita, é um pouco inocente em relação ao amor. Dá aulas para crianças de um quilombo em Pedra Santa e mora com o avô, Josafá (Lima Duarte), que tem um bar na beira da estrada, no Jalapão. Apaixona-se à primeira vista por Gael (Sergio Guizé). Casa-se e se muda para Palmas, onde vai sofrer grandes decepções. Será amparada pelo amigo Renato (Rafael Cardoso) nos momentos de desespero. Vai sofrer nas mãos da sogra, Sophia (Marieta Severo), e da cunhada Lívia (Grazi Massafera). Mãe de Tomaz (Vitor Figueiredo), que é obrigada a abandonar pequeno em função de uma armação que a faz desaparecer por longos dez anos. | <i>Crédito: Tv Globo / Raquel Cunha
Jovem simples e bonita, é um pouco inocente em relação ao amor. Dá aulas para crianças de um quilombo em Pedra Santa e mora com o avô, Josafá (Lima Duarte), que tem um bar na beira da estrada, no Jalapão. Apaixona-se à primeira vista por Gael (Sergio Guizé). Casa-se e se muda para Palmas, onde vai sofrer grandes decepções. Será amparada pelo amigo Renato (Rafael Cardoso) nos momentos de desespero. Vai sofrer nas mãos da sogra, Sophia (Marieta Severo), e da cunhada Lívia (Grazi Massafera). Mãe de Tomaz (Vitor Figueiredo), que é obrigada a abandonar pequeno em função de uma armação que a faz desaparecer por longos dez anos. | Crédito: Tv Globo / Raquel Cunha

Já diz um velho ditado: “Tudo o que vai, volta”. E é essa famosa lei do retorno que norteia a novela O Outro Lado do Paraíso, estrelada por Bianca Bin. Na trama, ela encarna Clara, uma menina ingênua, que passa por perrengues nas mãos da família do marido agressor, é trancafiada num hospício pela sogra que se apodera das esmeraldas de suas terras, e voltará dez anos depois, pronta para se vingar de tudo e todos que, inclusive, a separaram do filho recém-nascido.

Mas quando falamos de vingança, Bianca diz ser totalmente contra. “Se a gente recebe desamor, violência ou ódio, e devolve com a mesma coisa, isso só vai se multiplicar.” E foi com esse pensamento leve, de uma garota do interior de São Paulo, que Bianca iniciou seus trabalhos na TV. Na época, distanciando-se da família por conta do trabalho na capital, ela  mergulhou de cabeça no mundo de Marina, seu papel em Malhação (2009). 

E isso foi só o começo! Com apenas 27 anos, a artista já protagonizou quatro das oito novelas das quais participou. E roubou a cena em Êta Mundo Bom! (2016) ao interpretar Maria Lima, tipo que, a princípio, não teria tanto destaque, mas acabou indo além do que os telespectadores esperavam. Ela desmascarou os vilões da novela e encantou a todos que assistiram. Naquele mesmo trabalho, Bianca teve a oportunidade de ser par romântico do maridão, o ator Pedro Brandão, com quem é casada há cinco anos. Com vocês, mais Bianca Bin. 

TITITI – Muita responsabilidade protagonizar uma novela das 9, não?
Bianca Bin
– Não! Isso é um rótulo (o de protagonista) e não aceito rótulos, tá (risos)? Isso só me causa mais cobrança, e já sou muito autocrítica. Me pressiono o suficiente para aceitar mais essa pressão. Mas é um desafio falar de um tema delicado como a violência contra a mulher. É algo que me toca profundamente e  me sinto honrada de ter a oportunidade de falar sobre isso nessa novela, que tem um papel social muito importante. Mas não estou na minha zona de conforto! Lido com algo que nunca lidei. Então, distanciar a Bianca feminista, a mulher empoderada que estou tentando me tornar, da Clara, uma menina ainda imatura, ingênua, frágil, romântica, sonhadora e lúdica, acaba sendo difícil e um grande desafio pra mim, com certeza.

Então Bianca é bem diferente da Clara? 
Ah... eu acho que sim! Cresci e saí de casa muito cedo, com 16 anos, pra estudar teatro em São Paulo. E uma menina do interior, completamente jeca, do mato, foi pra cidade grande, morar longe dos pais. Tive que crescer precocemente, mas isso vai acontecer com ela também. O desenho da personagem é lindo! Ela sai dessa doçura, amabilidade e emoção, e vai para uma razão e consciência maior das coisas. 

Quais foram as principais dificuldades que encontrou no início da carreira?
Olha, quando vim paro o Rio a maior dificuldade foi ficar longe da família. Em São Paulo, eu estava a 100 km da casa dos meus pais, ia todo final de semana para lá, lavava minhas roupas lá, a mãe mandava comidinha congelada... você sabe como é mãe, né? Então, quando eu me distanciei por 500 km, aí sim ficou mais chocante e pude me ver completamente sozinha. Sou tão dependente emocionalmente, tão carente... na verdade, eu era, porque estou trabalhando nisso (risos)!

Você ia fazer Novo Mundo, né?
Pois é! Ia fazer a Domitila de Castro,  amante de dom Pedro. Estava animadíssima para trabalhar com o Vinícius Coimbra (diretor), porque nunca tinha feito nada com ele. Mas esses remanejamentos acontecem. Me tiraram de lá e me botaram aqui, e também estou supergrata! 

A Maria, de Êta Mundo Bom!, te ajudou muito nessa estrada, não?
Com certeza! E penso que trabalho chama trabalho, né (risos)!

Desde sua estreia, só emendou um trabalho no outro...
Verdade! Tantos amigos talentosos em casa parados ou tendo de produzir, fazer teatro de guerrilha... Isso é muito duro! Essa profissão é difícil e me considero muito privilegiada por ter esse espaço e poder emendar um trabalho no outro. Tenho amigos tão competentes e talentosos quanto eu ou mais, que não têm a mesma oportunidade. Então me sinto uma grande sortuda! 

Tem vontade de fazer algum trabalho cômico ou diferente de mocinha e vilã?
Tenho, muita! Mas pra tudo tem seu tempo e estou acolhendo o que me é dado. Minha carreira está só no começo e acho que os melhores personagens da minha vida vou pegar depois dos 30 anos. É viver o dia a dia, o que estou treinando para a Clara também, que tem uma história dramática... Então é esburacar, cavar coisas que não são simples de se lidar, e isso mistura-se o tempo todo com a vida pessoal e profissional. Temos que ter equilíbrio para separar tudo e poder levar o trabalho com leveza. É o que estou treinando. 

Por qual razão acha que os melhores personagens virão depois dos 30?
Acredito que numa carreira, dramaticamente falando, os personagens mais densos e aprofundados são os mais maduros. Quanto mais o ser humano evolui, mais o ator evolui também! As coisas estão interligadas. Depois de me tornar mãe, vou melhorar muito como atriz. É como o vinho... ou tem que ser, né (risos)?! 

Já planeja ser mãe? 
Ainda não. Dá muito trabalho, né? Quero ser mãe, de fato. Mas pretendo criar meu filho estando também presente, e acho que agora não vou poder fazer isso.  

E seu cachorro, o Chicão? 
Ele tá ótimo! Estou um pouco preocupada com ele, porque o Pedro, “pai” dele, vai viajar, e a “mãe” está trabalhando o dia inteiro. Penso até em colocar um passeador pra ele, pelo menos. Alguma coisa ele vai ter que ganhar com essa ausência (risos)! 

O Walcyr Carrasco, autor de O Outro Lado do Paraíso, declarou acreditar bastante no seu sucesso na pele da Clara! E você?
Ai, que bom! Então, não costumo esperar resultado. Estou focada no caminho, no dia a dia.  Penso muito no hoje e minha filosofia tem sido essa para a vida e para o trabalho. Sou muito ansiosa e hiperativa, e esse tipo de pensamento me deixa ainda mais agoniada, angustiada, é um buraco sem volta. Se eu me enfiar nele, vou precisar de ajuda pra sair (risos)! Então, acho que é olhar para o agora e viver o hoje, sempre.

Acredita na lei do retorno?
Com certeza! Sou muito mística e espiritualizada. Então, acredito numa força maior que rege todo esse universo, que para mim é uma entidade feminina (gargalhadas)! É a nossa grande mãe, é o amor de onde a gente veio. A humanidade toda veio do útero de uma mulher. Viemos dessa terra e precisamos curar a relação com esse feminino, tanto mulheres quanto homens. A gente maltrata a si mesmo, ao maltratar essa terra, por não cuidar do que é nosso. E temos que saber que essa força está a nosso favor! Às vezes, a gente vê como uma força contrária a nós, e não é assim. É algo que está triste se você está triste, e está feliz com a sua felicidade. E te retorna tudo multiplicado em mil! Tudo o que você dá para a natureza é o que você recebe. Isso é uma lei natural. A gente aprende do menor para o maior desde cedo. O que se planta, se colhe. Se não for aqui, será em outras vidas!

E fazer cenas de violência? O Gael (Sergio Guizé) é um monstro!
Isso é o que mais me pega e o que estou tentando treinar, pessoalmente e artisticamente, para a personagem e para essa novela. Estou levando com leveza, sem o peso da protagonista das 9, porque é muita pressão, muito trabalho, a demanda é gigante! Desde que voltei de viagem (do Tocantins, onde a trama foi gravada inicialmente), não parei. A gente tem só domingo pra descansar, e é um descanso entre aspas porque continuo estudando. Então é frenético, uma maratona! Estou malhando pra dar conta disso, tentando ganhar uma massa muscular, porque toda vez que eu começo a trabalhar, vou emagrecendo. 

Logo a Clara ficará internada numa clínica psiquiátrica... Sequências também complicadas, não? 
Estou tão preocupada com isso... Comecei a fazer terapia há pouco tempo. Já fiz outra vez, e acho que todo mundo deve fazer um dia. Tenho dificuldade de verbalizar meus sentimentos... sinto muita coisa e não consigo expressar. Tanto que estou com um nódulo na tireoide, me tratando. E acho que é muito disso, das coisas que a gente cala nessa sociedade opressora e patriarcal. Então, a busca da personagem, e minha também, é por esse amadurecimento, emponderamento, e pela minha conexão comigo mesma. Pela descoberta da minha máxima potência feminina, que é muito forte... todas somos!
 
Como foram as gravações no Jalapão?
Incrível! Gostei muito de conhecer os lugares. Nunca tinha visto cachoeira de água quente, por exemplo. Só tinha mergulhado nas de São Paulo e Minas, que são geladíssimas. Então, isso foi novidade pra mim! Os chapadões... o lugar é maravilhoso. A biodiversidade, o cerrado, que é riquíssimo. Ah, lá também é muito quente! O clima é seco e a gente precisava hidratar o tempo todo narinas, lábios, olhos e corpo. Recebemos 1 milhão de recomendações da empresa para esses cuidados. Muita água o tempo todo! Mas é um lugar belíssimo e, tenho certeza, todos vão querer que a gente volte logo!

17/11/2017 - 14:56

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