Bruno Cabrerizzo: “Beleza ajuda a abrir portas. Cabe a nós mostrar nosso valor em outros aspectos”

Os noveleiros não conheciam o talentoso intérprete de Inácio, de Tempo de Amar. E dizem: ‘Muito prazer!’

O ator é uma das grandes apostas do diretor Jayme Monjardim para o folhetim | <i>Crédito: Globo/Rafael Campos
O ator é uma das grandes apostas do diretor Jayme Monjardim para o folhetim | Crédito: Globo/Rafael Campos

E já dizia a norte-americana tricampeã olímpica Gail Devers: “Toda conquista começa com a decisão de tentar”. Foi assim que Bruno Cabrerizo conquistou o tão cobiçado papel de protagonista da novela global das 6, sua primeira na televisão brasileira. Começando com pequenas participações na TV europeia, ele ganhou destaque e, após muito esforço e dedicação, conseguiu chamar a atenção de Jayme Monjardim, diretor artístico da emissora, e de Tempo de Amar.


Ainda na adolescência, o gato iniciou carreira como jogador de futebol. Foi zagueiro de times como Botafogo e Flamengo, jogando pela categoria de base até  2005, quando se mudou para Milão a fim de buscar nova vida. E seus dias nem sempre foram fáceis! Hoje, aos 38 anos, o carioca Bruno carrega consigo uma bagagem repleta de trabalhos internacionais, indo dos de menor visibilidade até o estrelato. “Já fui garçom, motorista, trabalhei também com contabilidade... até decidir que com a moda teria mais tempo livre, ganharia mais e conseguiria fazer minha formação com mais calma sem ficar correndo de um lado para o outro”, revela o ator.


Mas as coisas não aconteceram da noite para o dia. Na Itália, Bruno modelou, brilhou no Ballando con Te (espécie de Dança dos Famosos) e conseguiu o papel de Velasco na 14ª temporada da telenovela CentoVetrine (2001). Logo depois, fez um teste para atuar em Portugal, passou e arrasou no papel de Santiago Ortiz, em A Única Mulher (2015), que lhe rendeu até prêmio de Melhor Ator Coadjuvante.


Despontando no cenário internacional, recebeu um convite pelo Facebook para participar de O Avental Rosa – filme de Monjardim. A princípio, não acreditou. Mas decidiu ver no que ia dar. “Uma pessoa me mandou uma mensagem no Facebook, mas não levei a sério. Continuei achando que era brincadeira, até que me mandaram a passagem. Só fui ter certeza de tudo no set de filmagem (risos).”


A partir do longa, o diretor teve a certeza de que Bruno estaria em sua próxima novela. “Ele gostou e me fez o convite para Tempo de Amar”, revelou, muito feliz com o primeiro personagem na nossa TV.

Ironias da vida... Assim como Inácio, que deixou fortes laços na Europa em nome de um objetivo, Bruno veio ao Brasil sozinho. Seus queridos filhos, Gaia e Elia, de 7 e 4 anos, frutos da união com a ex- mulher Maria Caprara, com quem foi casado durante sete anos, ficaram em Milão. Mesmo com a distância, ele está sempre aproveitando para fazer chamadas de vídeo com os pequenos e ter algum tipo de contato, para matar um pouquinho da saudade. Então, vamos ao bate-papo, para conhecer melhor esse gato?

 

TITITI – Conta um pouquinho sobre o Inácio e o que ele significa para você?
Bruno Cabrerizo – É um grande prazer estar onde estou e agradeço muito ao Jayme. Passei 12 anos fora do país e, de repente, estou aqui sentado ao lado desses atores maravilhosos, autor e direção. O Inácio é um rapaz muito trabalhador, focado e que vai atrás dos sonhos. Ele se apaixona pela Maria Vitória (Vitória Strada) e atiçado por ela, uma moça muito à frente do seu tempo, vai embora porque ela diz: “Vai, faz a tua vida e volta”.  E foi o que o Bruno Cabrerizo fez também, e isso me emociona. Apesar de a história se passar nos anos 20, esse é um tema muito atual. Nos tempos em que vivemos, falar de amor é a melhor coisa que existe, e nossa novela é tão bonita... Estamos precisando de uma coisa leve, e acredito que esse seja o motor de Tempo de Amar. O Inácio é uma mistura de força, determinação e paixão.

E encarar um protagonista, hein?
É uma responsabilidade muito grande. Começar assim é excelente, mas não dou tanto peso a ser protagonista, porque qualquer produção é feita por um grande elenco, uma grande direção. Claro, o tipo principal tem um peso, mas todos nós trabalhamos em prol da produção, e estamos muito unidos nesse objetivo comum.

Como surgiu o desejo pela atuação?
Herdei da minha avó, que foi atriz circense. Atualmente, ela tem 83 anos e se diverte com uma companhia de teatro amadora. Sempre gostei de frequentar o circo. Optei inicialmente pelo mundo do esporte, que me formou como homem, me deu determinação, regras, foco. E quando decidi parar quis seguir esse desejo de ser intérprete.
 
Comente sua vida na Itália... Tinhaalgum projeto quando foi para lá?
Fui despretensiosamente para passar três meses, tempo a que temos direito como turistas. Levei 3 mil dólares no bolso, com a cara e a coragem. E as coisas foram acontecendo devagar.

Já falava italiano fluentemente?
O italiano é a minha segunda língua, então tinha uma boa noção por causa do meu bisavô. Depois, estudei a língua e fazia dicção diariamente para me aperfeiçoar. Daí consegui meus primeiros trabalhos como ator, já falando em italiano.

Você fez sucesso como modelo no exterior... Pretende modelar aqui?
Não sei, mas quando se apresentarem as situações vou pensar. Aposentei um pouco o meu lado e a profissão de ator é a minha base, atualmente.

O rótulo de galã o incomoda?
Nada! Sendo bem sincero, pode parecer meio clichê, mas me olho no espelho e vejo só os olhos bonitos. Dizer que sou um galã, pelo amor de Deus (risos). Você já viu o tamanho do meu nariz? Não me acho bonito mesmo, estou preocupado só em fazer bem meu trabalho e deixar uma porta aberta com a Globo no mercado brasileiro. Beleza ajuda a abrir portas. Cabe a nós mostrar nosso valor em outros aspectos.

Acredita que o fato de você já ter feito outras coisas o deixou menos ansioso para o atual desafio?
Sem dúvida, me deu maturidade para não ficar de nariz em pé. Isso é um trabalho sério e tem de ser levado como tal. Ou seja, pé no chão e muita entrega! Com relação à ansiedade, tenho uma coisa de querer fazer bem as coisas. As críticas virão sempre, positivas ou negativas, e como já sofri com isso antes, acho que faz parte do contexto com o qual trabalhamos. Quem dera eu poder agradar a todo mundo...

O Inácio é cheio de nuances, se apaixona pela mocinha, pela vilã...
Inácio sofre um acidente, fica cego e não consegue voltar para Portugal, sendo amparado por Lucinda (Andreia Horta). Ele continua apaixonado pela Maria Vitória e depois mentem dizendo que o amor da vida dele se casou, foi para a Espanha, e pediu para nunca mais entrar em contato. Claro, no coração do Inácio nasce uma gratidão por aquela mulher, a Lucinda, que o salvou, deu a ele casa e comida. Vira um amor diferente do que ele tem pela Maria Vitória.

E você? Acha que é capaz de amar duas pessoas ao mesmo tempo?
Depende, amar tem várias formas, mas o amor romântico não.

Você é romântico?
Sou romântico, chorão... Não faço poesia, mas gosto de bolar surpresa (risos).

Qual a importância de uma novela romântica nos tempos de hoje?
É muito importante, neste momento, falarmos de coisas mais leves. Por isso, nada melhor que falar de amor.

 

27/10/2017 - 15:54

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