Caio Paduan: “O amor é a solução para todas as crises na vida”

O intérprete do Bruno, da trama global das 9, se diz um romântico inveterado, desses que encontra poesia em tudo

Daniel Vilela

Filho mais velho de Gustavo (Luis Mello) e Nádia (Eliane Giardini), estuda Direito, seguindo os passos do pai. Apaixona-se por Raquel (Erika Januza) e enfrentará a resistência da família ao romance. | <i>Crédito: Globo / Raquel Cunha
Filho mais velho de Gustavo (Luis Mello) e Nádia (Eliane Giardini), estuda Direito, seguindo os passos do pai. Apaixona-se por Raquel (Erika Januza) e enfrentará a resistência da família ao romance. | Crédito: Globo / Raquel Cunha

Dá até para acreditar em príncipe encantado depois de bater um papo com Caio Paduan, mesmo que o galã insista em se colocar um defeito aqui, outro acolá. “Bem, eu falo muito, né? Mas acho que isso já deu para perceber”, brinca o ator, que faz o romântico Bruno em O Outro Lado do Paraíso.

Durante  nossa conversa, o artista contou tudo sobre sua volta à telinha na pele de um bom moço graças ao personagem. “Dá até um alívio no coração”, dispara aos risos ele, que, até há pouco tempo, estava sob as más influências de seu vilão Alex, de Rock Story (2016).

“Virei a chave total”, garante ele, conquistando novamente o carinho do público, que comprou a briga do Bruno contra a mãe, a racista Nádia (Eliane Giardini). Afinal, na trama de Walcyr Carrasco, a perigosa perua foi capaz de tudo para separá-lo de Raquel, feita por Érika Januza, porque a jovem é negra. “Como podemos ser um país tão racista sendo que 53% da população é negra?”, questiona.

O ator ainda relata ter feito  um acordo com Érika, de que os dois iriam se dedicar dobrado para abrir os olhos das pessoas sobre um  drama que afeta milhões de brasileiros, inclusive a atriz, com quem o ator afirma aprender, todos os dias, a respeitar as diferenças ainda mais. “Tudo o que acontece no set pergunto a Érika, para colocar a questão do preconceito de forma digna e séria”, explica.

Contudo, mesmo Bruno não foi capaz ainda de superar os preconceitos e lutar pelo seu amor. E acabou se casando com Tônia (Patrícia Elizardo). “Ele é meio inseguro, argumenta que precisou deixar essa paixão de lado em relação aos seus sonhos”, reflete o astro, que está solteiro após recente separação da atriz Julia Konrad.

TITITI – Um amor como o de Bruno e Raquel é capaz de vencer tudo, até mesmo a discriminação?
Caio Paduan – Se existe um amor verdadeiro, um encontro para a vida, de almas, que a gente não entende, e nem explica, é capaz de superar todas as barreiras. Aliás, a gente tem mesmo é de espalhar amor por aí. O próprio preconceito nasce da falta de empatia, da dificuldade de se colocar no lugar do outro, e só um sentimento é capaz de fazer pensar no outro. O amor é a solução para todas as crises na vida.

O casal caiu nas graças do telespectador, que comprou a briga deles contra Nádia. Esperavam por isso?
Bem, no começo, Érika e eu combinamos de nos dedicar para que as pessoas torcessem pelos personagens e sentissem os dilemas que eles enfrentam. E é tão fácil trabalhar com alguém tão inteligente, comprometida, boa atriz e linda como a Érika... A gente se deu bem de cara, ela é muito dedicada. Me iden-tifiquei, porque sou nerd como ela (risos).

Como lidaria se percebesse que alguém tão próximo fosse capaz de dizer absurdos racistas?
Responderia um pouco mais forte, não iria aguentar. Bruno ainda é comedido, porque Nádia fala coisas horríveis. É difícil, não sei lidar mesmo. Cresci em uma família muito amorosa e esses absurdos me colocam em um lugar muito ruim.

Acredita na lei do retorno?
Fiz Além do Tempo (2015), que falava justamente sobre reencarnação. Haja carma (risos)! Acredito muito, sobretudo em energia, no sentido que a física dá. Quando você emana uma palavra ruim, envia uma energia ruim ao universo. E, acredite, ela vai voltar! A Terra é redonda, as coisas giram, a vida é cíclica. Palavras proferidas não voltam jamais.

Você é o primeiro artista da família... Como foi revelar aos pais que queria ser ator?
Senti muito, até porque meu pai, Paulo Paduan, é economista. Tenho mais a ver com  minha mãe, Ivana Padui, publicitária. Ela amou quando dei a notícia, até porque me levou pequenininho para fazer publicidade. Eu é que não curti ser modelo. Já com meu pai foi mais complicado, mas ele disse que confiava nas minhas escolhas, no  discernimento. Ele gosta de umas palavras difíceis (gargalhadas).

O apoio  facilitou as coisas?
Ah, mesmo assim, foi difícil. Já me vesti de palhaço na rua, fazia festas infantis, atueiem peças nas quais iam cinco pessoas assistir, fui de garçom...

Não se opuseram aoseu sonho nem ao vê-lo trabalhando como garçom?
Meus pais me questionaram, não por ver a profissão com demérito, mas pelo filho, que estudava tanto e saía para trabalhar virando a noite. Precisava pagar a faculdade de artes cênicas, as peças ainda não davam dinheiro, mas minha hora ainda ia chegar. Entrava às 18h (no restaurante) e saía às 6h do dia seguinte e sempre soube que meu esforço teria resultado. Sou apaixonado pelo que faço.


De que maneira seus pais receberam a informação de que faria uma importante trama em horário nobre?
Nossa, foi algo muito forte para mim (emocionado). Dá um orgulho falar: “Oi, mãe, estou na novela das 9...” Ela saiu gritando, deixou o telefone cair (risos)... Sempre tem uma cobrança da família, dos amigos, para saber quando a gente vai chegar lá. Vejo que tudo valeu a pena.

Já pensou em desistir da carreira artística?
Muito! O ator que diz “nunca pensei em desistir” está mentindo. Não é fácil, mas a gente é muito apaixonado pela profissão. Nunca vou esquecer quando a Fernanda Montenegro me disse, durante a preparação da novela, que os primeiros 20 anos de carreira são fáceis! Imagina quando ficar difícil... Comemorei meus primeiros 10 em 2017 e então estou só na metade.

É um cara romântico?
Vejo poesia em tudo, coisa de artista, né, de gente maluca, que vê o pôr do sol e aplaude (gargalhadas).

06/01/2018 - 15:16

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