Cauã Reymond: “Dois Irmãos é um sonho para mim há mais de dez anos!”

Radiante! É assim que o artista de papéis marcantes está diante da expectativa de interpretar gêmeos que vivem fortes conflitos na próxima minissérie global

Cauã Reymond em cena de Dois Irmãos | <i>Crédito: Globo/Divulgação
Cauã Reymond em cena de Dois Irmãos | Crédito: Globo/Divulgação

A espera foi grande, mas agora, após quase dois anos do término das gravações, a minissérie Dois Irmãos, escrita por Maria Camargo e dirigida por Luiz Fernando Carvalho, finalmente, chegará às telinhas. A estreia da produção, protagonizada por Cauã Reymond e com grande elenco, será em 9 de janeiro, na Globo.

Na obra de dez capítulos e com três fases, Cauã Reymond faz os problemáticos gêmeos Omar e Yaqub, que nutrem entre si uma rivalidade sem igual. Segundo contou o astro, essa competição entre os irmãos se dá por conta do diferente tratamento que a mãe, Zana (Gabriella Mustafá/Juliana Paes/Eliane Giardini), dá a cada um.

Pai de Sofia, de 4 anos, fruto do casamento com a atriz Grazi Massafera, o ator entende que cada filho possui uma personalidade diferente, assim como uma demanda educacional diferenciada... “A gente nasce com as nossas próprias características, e outras vai absorvendo das pessoas que estão à nossa volta e nos criam”, considera o artista.

No bate-papo com TITITI, Cauã conta tudo sobre a complexidade de compor dois personagens distintos em uma mesma obra. Fala também sobre a relação com os atores estreantes e da ansiedade que viveu até ver o resultado do trabalho na minissérie, descrito pelo próprio como o mais desafiador de sua carreira.

 

TITITI – Como foi se dividir em dois personagens, com almas e personalidades tão distintas?

Cauã Reymond – Obviamente li e reli o livro Dois Irmãos (de Milton Hatoum e que inspirou a minissérie) várias vezes para entender cada um deles. Também fizemos uma preparação muito especial no TVlier, galpão onde a gente ensaia todos os produtos do Luiz (diretor). Posso dizer que foram três meses de preparação com aulas de corpo, voz, dança e improviso... Todo o tipo de preparação que fosse necessária para os personagens, a gente fez.

Deve ser difícil achar o tom de dois tipos ao mesmo tempo...

Dois Irmãos é um sonho para mim há mais de dez anos. Quando tive a oportunidade de embarcar nesse projeto, não foi aflitivo. Sempre que a gente transpõe uma obra-prima para o audiovisual, quer ser o mais fiel possível. A gente quis falar de uma obra premiada como este livro de forma que fizesse jus a tudo o que ela representa. Achei que foi uma sorte (ser convidado para o papel)! Desde o momento que começaram os ensaios, fui de uma completa entrega!

A produção aborda temas muito polêmicos. Como é, para você, participar de uma obra que já está totalmente gravada, sem poder ter o feedback do público durante a exibição?

O horário, por ser mais tarde (23 horas), proporciona que a gente dialogue com assuntos diferentes, como aconteceu em Verdades Secretas (2015) e Justiça (2016), por exemplo. Então, acho que estamos inaugurando mais um diálogo desses. A obra artística proporciona isso: em muitos momentos, o entretenimento, e em outros a importante reflexão.

Existe uma tensão forte entre Omar e Yaqub. Como explica a relação deles?

Eu tenho filha e sei que as crianças nascem com características próprias e os pais não têm controle sobre isso. Ninguém tem! Então, no caso desses dois irmãos, eles já chegaram diferentes, e a forma como a mãe e o pai conduziram a educação deles faz com que aconteça essa tragédia. Quem leu o livro, sabe.

Estava ansioso para o projeto?

Nossa, tanto que agora já não estou mais ansioso (risos)!

Você falou que esse era o papel da sua carreira, certo? Por que você considera isso?

Hoje as mulheres estão tomando conta da dramaturgia com personagens fortes e muito bem executadas por essas atrizes. Os tipos masculinos fortes estão cada vez mais raros. Fazer gêmeos, desse porte, é realmente um desafio! É um desses presentes que não chegam a toda hora na trajetória de um intérprete.

E como foi contracenar consigo mesmo? Teve jogo de câmeras ou dublê?

Eu tinha dublê! Sempre tinha um fazendo o outro irmão. As falas eram sempre minhas, mas tinha a referência visual dele, sim.

E essa questão dos maus- tratos que os meninos sofrem do pai, Halim (Bruno Anacleto/ Antonio Calloni/ Antonio Fagundes), como apanhar por exemplo. Como é que ficou essa carga emocional em relação a isso?

Eu me entreguei! Na última cena até me cortei, tomei quatro pontos na mão. Mas foi um acidente na cena final, porque bati numa janela. Acontece... Eu posso dizer que dei literalmente o sangue por esses personagens (risos).

Bárbara Evans, que faz a Livia (outro motivo de conflito entre os irmãos), falou que se sentiu acolhida por você e todo o elenco. Como foi lidar com esses novos atores? O que passa para eles, principalmente num trabalho com cenas fortes e nudez?

Acho que a gente teve um processo de ensaio muito bom. E é por isso que temos treino, para preparar as pessoas no sentido do que vai acontecer no dia das filmagens. É para tudo acontecer com naturalidade. Mas tudo se passou de acordo com o Luiz, o maestro da obra.

Para você ainda é difícil protagonizar sequências mais eróticas?

Cara, eu já fiz tantas que vou levando tudo sempre no bom humor e na concentração.

E quando essas cenas repercutem mais que a própria trama? Se chateia um pouco?

No Brasil, repercute muito esse tipo de coisa, sim. Acho que faz parte da nossa cultura, temos curiosidade sobre isso. Eu tento levar no maior bom humor, se- não fica sofrido fazer. Já é tão estranho, não é (atuar nesse tipo de situação) ?! Em 2009, trabalhei no filme À Deriva, com o ator francês Vincent Cassel e não assisti no set às cenas dele. Mas ele tinha várias de nudez com algumas atrizes. E me disseram que tratava isso (filmar nessas circunstâncias) com uma diversão tão grande... Depois, pude ficar amigo dele e resolvi tomar o mesmo rumo. Assim, na hora de gravar, tento fazer o máximo de brincadeira possível para ficar descontraído e nunca pesado.

26/12/2016 - 18:58

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