Dayse Pozato: 'Se tenho de cozinhar por obrigação, aí nada sai muito gostoso'

A atriz, que se destaca em Deus Salve o Rei, revela que tem a mesma mão boa para temperos de sua personagem, Betânia

Dayse Pozatto | <i>Crédito: Rodrigo Lopes
Dayse Pozatto | Crédito: Rodrigo Lopes

Para voltar no tempo, precisamente para o século XIV, quando se passa a história de Deus Salve o Rei, Dayse Pozato tem a ajuda de colheres de pau, grandes caldeirões e uma touquinha, como ela mesma define, bem “interessante”. Pronto, tudo certo para a atriz se transformar em Betânia, uma das cozinheiras de mão cheia do castelo de Montemor.

“A preparação não é tão trabalhosa, há estamos fazendo isso há meses e já aprendemos. A maquiagem é básica para os dois momentos. O cabelo é um aplique que se mistura aos meus fios verdadeiros e fica bem bonito. É como se a gente fosse transportada para outro universo”, e delicia a estrela, feliz da vida.
Muito além das cozinhas, Dayse ainda vê sua doce Betânia enfrentar o preconceito de frente. A cozinheira sempre tem uma palavra amiga e um bom conselho a quem precisar.

Seja o filho Ulisses, vivido por Giovanni de Lorenzi, que enfrenta a fúria do pai  Romero (Marcello Airoldi) por ter abandonado a academia militar para se aventurar nas cozinhas, até então dominadas apenas pelas mulheres.

Ou pelo caminho inverso de Selena, defendida por Marina Moschen, que deixa as panelas para trás em busca de se tornar uma guerreira.

“O que importa é a capacidade e a habilidade de cada um, de cada ser humano, independente de gênero”, arremata, nesta entrevista deliciosa!

TITITI – Também tem a mesma mão boa para a cozinha como a Betânia?
Dayse Pozato
– Sim, tenho a mão boa para o tempero! Gosto de cozinhar para os amigos. E sei também fazer a comida do dia a dia, como arroz, feijão, suflê, panquecas. Gosto de fazer doces também , tipo biscoitos e uma torta de limão que meu filho, Antonio, diz que é a melhor que ele já comeu. Mas se tenho que cozinhar por obrigação, aí nada sai muito gostoso. Cozinhar tem de ser um prazer.

Aprendeu muito sobre a culinária medieval para o papel?
Tivemos algumas aulas com cozinheiras de mão cheia. Aprendemos a fazer pães, massas para tortas, cortar os temperos, coisas que eu já estava familiarizada. O grande desafio para mim foi com as carnes e ter que desossar frango, cortar coelho, porco, peixes. Foi inédito para mim e, confesso, foi bem difícil. Mas são aquelas coisas que só através do meu trabalho eu teria oportunidade de aprender.

Qual seu prato favorito e qual deixa passar?
Sou taurina, aprecio a boa mesa. Mas deixo passar facilmente os miúdos. Fora isso, como qualquer comida bem feita. Para mim, até mesmo um bom pão feito em casa, molhado no azeite com alecrim tem grande valor.

Aliás, nos últimos capítulos, a Betânia tem enfrentado uma barra por conta do preconceito com o filho Ulisses (Giovanni de Lorenzi) trabalhando na cozinha...
A Betânia tem que lidar com esse conflito e fica entre o marido, que é antiquado e machista, e o filho, que é um talento nato na cozinha. Naquela época, imagino que os homens teriam mesmo que ser guerreiros, mas a Betânia não é ligada às tradições. A minha personagem é transgressora e vai ajudar seu filho, assim como ajudou Selena, a achar seu caminho.

Rolou isso com você, de querer um caminho que pessoas próximas não achavam que seria bom?
No meu caso, tenho uma profissão muito instável e acho que meus pais trilharam um caminho mais próspero em termos financeiros e materiais pra minha vida (risos). Mas não mudaria a minha história. Vivo há muitos anos do meu trabalho e não posso reclamar de nada. É que as pessoas tendem a achar que você não está bem se não está trilhando o caminho que eles imaginaram que seria o melhor para você. Mas eu sempre pergunto: nesse caminho tem um coração? Se tem, esse é o caminho.

Inclusive como surgiu a arte em sua vida?
Não pensava em ser atriz até fazer um curso de teatro no colégio Isa Prates, no Rio de Janeiro. Foi lá que descobri que era isso que queria fazer. De lá, parti para O Tablado e vários cursos livres, entre eles, um com Bia Lessa, onde montamos um espetáculo lindo chamado Exercício nº 1. Com esse espetáculo, fui para a Espanha, onde participamos do Festival de Cádiz. Foi o máximo! E, depois dessa peça, não parei mais. Fui totalmente tomada pelo amor pela profissão.

Se não fosse atriz, seria...
Não me vejo fazendo outra coisa que não seja arte. Gosto de lidar com gente, de comunicação. Gosto de pesquisar, de entender um personagem, de atuar. Adoro estar num palco e estou amando o áudio visual. Essa é a primeira vez que faço uma novela toda. Antes, só fiz participações, que foram bastante especiais, mas fazer parte de um elenco fixo de uma trama é uma delícia. Já quero mais (risos).

A vida das mulheres não é fácil por conta do machismo, mas na Idade Média a barra era mais pesada. Por isso mesmo, é legal ver tantas mulheres poderosas tomando conta de Deus Salve o Rei...
A Betânia incentiva a Selena a ser uma guerreira..Ela dá asas ao sonho da jovem.  É muito bom ver mulheres assumindo cargos de chefia em todas as esferas, na política, na arte, na medicina, na pesquisa. O que importa é a capacidade e a habilidade de cada um, de cada ser humano, independente de gênero. Apesar de ainda termos muitas barreiras a derrubar, pensar que até pouco tempo a mulher nem tinha direito de votar..Já provamos que somos capazes de muita coisa e devemos ansiar por um mundo mais justo e sem preconceitos. Lugar de mulher é aonde ela quiser sim.

10/04/2018 - 14:00

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