Felipe Silcler: “Quero morrer bem velhinho e trabalhando!”

O gato é um dos grandes destaques de Novo Mundo na pele de Libério

O ator é um dos destaques de Novo Mundo e também brilhou em Totalmente Demais (2015) | <i>Crédito: Globo/Raquel Cunha
O ator é um dos destaques de Novo Mundo e também brilhou em Totalmente Demais (2015) | Crédito: Globo/Raquel Cunha
Quem pensa que ser artista é fácil está muito enganado! Para chegar às telinhas, Felipe Silcler, por exemplo, correu e muito atrás do sonho. Formado em publicidade e propaganda pelo Centro Universitário UniCarioca, o jovem de 26 anos conta que teve de escolher um curso para ter um diploma, mas jamais se veria em outra profissão, que não a de ator. “Graças aos deuses, tive a sorte e o privilégio de trabalhar apenas atuando. Ralei muito no teatro amador, mas nunca precisei fazer outra coisa”, conta o astro.

Hoje ele comemora o sucesso na novela Novo Mundo, na qual representa Libério, um jornalista negro que vive um amor proibido com Cecília (Isabella Dragão), filha de um comerciante de escravos. “É triste pensar que esse absurdo (a escravidão) acontecia há menos de 200 anos ”, lamenta. 

O jovem, que também interpretou Cascudo em Totalmente Demais (2015), revela aqui um pouco sobre a vida pessoal, planos para o futuro e a discriminação racial que já enfrentou. Vamos ao bate-papo? 

TITITI – Quando você começou a se interessar por artes cênicas? 
Felipe Silcler – Na infância, brincava de ser outras pessoas, fazia tipos... acho que criança, em geral, tem muito disso. Na mesma fase, na escola, uma professora me colocou em cena para uma apresentação de fim de ano. Eu tinha de decorar vários textos e achava que não conseguiria. Quando subi ao palco, senti aquela energia e consegui! Ali soube que essa era minha missão: atuar. E nunca mais parei!

Quem o inspira desde sempre?
Ah, sou fã de muita gente!  Lázaro Ramos, Cássia Kis, Ricardo Darín, Wagner Moura, Luís Miranda, Adriana Esteves... tem muitos atores bons por aí! 

Curte alguma outra arte?
Amo arte em geral. Tenho uma ligação forte com a dança e a música, por exemplo. Danço um pouquinho de contemporâneo, afro e popular brasileiro. Também amo cantar, apesar de nunca ter levado isso a sério. Tenho um violão e uma gaita e quero aprender a tocá-los de verdade. Ah, também amo apreciar artes plásticas! Acho que um artista completo deve se alimentar do máximo de fontes artísticas que conseguir. Tudo serve como bagagem e inspiração!

O que mais almeja na profissão?
Quero continuar vivendo da atuação, sem precisar trabalhar com outras coisas. A arte tem o poder de fazer as pessoas refletirem sobre qualquer assunto, e pretendo usá-la para tocar as pessoas. Para o meu futuro, espero muitos personagens desafiadores, fazer cinema, teatro, TV. Quero morrer bem velhinho e trabalhando!

Cascudo ou Libério? Quem foi mais especial até aqui?
Os dois personagens são bem especiais! O Cascudo foi o primeiro que fiz em novela, e fez com que o grande público me conhecesse. Terá sempre um lugar no meu coração! E Libério dá bastante oportunidade de mostrar meu trabalho, com uma história que me toca... Tenho muito orgulho de poder contar a história dele, que também será sempre importante pra mim. Acho que é como perguntar para um pai de qual filho ele gosta mais: não dá para escolher. 

Como foi a construção do atual papel? 
Tive preparação da Globo, com várias aulas de fatos relacionadas à época, e da Ana Kfouri, que foi fundamental na construção do Libério. Li muito sobre o período em que a produção se passa, o século XIX, e a respeito do jornalismo. Principalmente o jornalismo de resistência, feito por profissionais negros, como José do Patrocínio. Peguei inspiração em Machado de Assis também, apesar de ele ter nascido pouco depois do momento que a novela retrata. 

E a parceria com a atriz Isabella Dragão? 
A Isabella é uma queridona! Me tornei muito fã do trabalho dela. É uma atriz dedicada, talentosa e muito sensível. Desde o primeiro dia, quando fomos apresentados, nos demos bem. Trocamos ideias sobre os personagens, e quando ela vem para o Rio vamos juntos ao cinema ou teatro. Ela é um grande presente da novela pra mim!

Qual sua opinião a respeito da escravidão?
É muito triste pensar que as pessoas achavam aquilo normal. Infelizmente, até hoje a gente sofre consequências daquela época. Ainda há muito preconceito arraigado na nossa sociedade. Muita gente ainda vê os negros apenas como mão de obra para trabalhos menores, e não como um ser humano igual. Isso precisa mudar pra ontem! Os espaços e oportunidades precisam ser iguais. Cerca de 54% da população brasileira é negra e precisa ser respeitada. Nós temos voz e não vamos nos calar!

Já sentiu na pele o preconceito?
Sempre fui muito bem resolvido com a minha cor. Nunca deixei que o preconceito me afetasse. Acredito que, se a pessoa é preconceituosa, esse é um problema que ela precisa resolver. Não tenho nada com isso, mas claro, já passei por situações nada legais. Por exemplo: na entrada de um show, vi todos os meus amigos brancos passarem direto e o único revistado fui eu. Já entrei no mercado e senti um segurança ou funcionário me seguindo para ver se não roubaria nada... Já fiz sinal para um táxi e ele não parou, mas logo à frente pegou um passageiro branco. Essas coisas infelizmente acontecem e me mostram que é preciso lutar contra o racismo todos os dias. 

Sabe como será o fim de Libério?
Espero que consiga se livrar do Sebastião (Roberto Cordovani) de uma vez por todas! Quero que viva o amor com Cecília em paz e, de alguma forma, consiga ajudar a caminhar para o fim da escravidão e libertar seus irmãos. 

No pessoal, como vai o coração? 
Sou pisciano, então estou sempre aberto a novas conquistas (risos). No momento, meu foco é a carreira, mas se aparecer alguém especial... aí a gente tenta conciliar!

Descreva a sua mulher ideal?
Tem que ser como ela quiser ser. Não acredito em regras para essas coisas. Quando tem que acontecer, a gente aprende a gostar da pessoa como ela é. 

E a família? 
Meus pais foram fundamentais para eu conseguir chegar aonde estou. Sempre me apoiaram de todas as formas, tanto emocional como financeiramente. Eles permitiram que eu pudesse estudar e correr atrás dos meus sonhos. Sou muito grato!

No tempo livre, o que gosta de fazer?
Amo ir ao teatro! Procuro assistir a, pelo menos, uma peça por semana. Às vezes, consigo duas, três... sou viciado real (risos). Também gosto muito de me conectar com a natureza. Estou em uma fase calma, prefiro fazer viagens curtas para praia ou campo. Acampar, fazer trilha, ou ficar em casa com amigos... Jogos, violão...

Um conselho...
Tenham mais amor ao próximo. O mundo precisa de muito amor! Se coloquem no lugar do outro, pensem antes de julgar e apontar o dedo para alguém. A empatia é de graça. E o principal: acreditem sempre nos seus sonhos... eles são feitos para se tornar realidade! Acredite, confie e depois vá na fé! Na hora certa, se for pra ser, vai acontecer. Por fim, nunca deixe de buscar sua felicidade, só você pode fazer isso por você. Nunca ligue para o que os outros vão pensar... apenas mergulhe de cabeça!

18/09/2017 - 15:57

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