Isis Valverde: “Desisti de agradar a todo mundo. Dizer não é muito libertador!”

Ao chegar aos 30, a musa de A Força do Querer admite: repensou a vida e mostra-se mais madura e plena

Daniel Vilela

Isis Valverde durante as gravações em Belém (PA) | <i>Crédito: Globo / Estevam Avellar
Isis Valverde durante as gravações em Belém (PA) | Crédito: Globo / Estevam Avellar
Aviso aos navegantes! Muito cuidado para, nas próximas páginas, não se deixar levar pelos encantos de Isis Valverde. Ou ela vai te levar para o fundo do rio, hein kkk! Brincadeira... É que a atriz emerge das águas do Rio Amazonas, em Belém (PA), e até nada com botos cor-de-rosa para dar vida a Ritinha, de A Força do Querer, personagem que já vem enfeitiçando meio mundo. 

“Ela passeia pelo mar da vida, é uma menina de coração muito puro”, define a estrela, perdendo o fôlego ao comentar sobre a música Sereia, composta pelo rei Roberto Carlos, a pedido da escritora Gloria Perez, especialmente para ela na novela. “Cresci com meu pai, Rubens (Valverde), cantando as canções dele.”

Para se tornar uma verdadeira sirena, metade peixe e metade mulher, segundo a mitologia, Isis se preparou com Mirella Ferraz, profissional de sereísmo e que faz apresentações no aquário de São Paulo, por exemplo. “Minha aluna mais querida e aplicada nasceu com alma de sereia”, aposta a ativista. 

Pelo jeito, acessórios, como uma cauda de neoprene para natação, vão cair no gosto das brasileiras. “Todo mundo vai querer uma dessa, especialmente as crianças”, dispara Isis, que adora o assédio dos baixinhos. “Quando gravei  em Belém, várias vieram sentar no meu colo e eu lá, caracterizada, com o rabo, o cabelão e as conchinhas da Ritinha. Elas ficaram encantadas, foi emocionante”, confidencia a artista, que é mineirinha.

Fora das águas da fantasia, quem conseguiu fisgar, mesmo, esse peixão foi o modelo e empresário André Resende. Ele e Isis estão juntos há cerca de um ano e apaixonadíssimos. Na ficção, no entanto, cabe a Marco Pigossi o desafio de fazer a sereia cair na sua rede. Os dois intérpretes, 

inclusive, já viveram par romântico em Boogie Oogie (2014). “Olha a gente de novo, querido (risos). Mas falei para o Marco ficar tranquilo que agora tem a Paolla Oliveira no meio para não ficar repetitivo”, diz a musa, bem-humorada, às gargalhadas.

TITITI – Conheceu alguma “sereia” da vida real?
Isis Valverde – Botei meninas que praticam sereísmo dentro da minha casa e fiquei prestando atenção em tudo que podia. Tadinhas, suguei a alma delas de canudinho (risos).

Sobretudo no Norte, tem gente que acredita que as sereias existam... E você?
Olha, acredito mesmo é na energia das águas. Gosto de banhos de cachoeira e de mar para lavar a alma! 

Como é nadar com a cauda?
Ela é pesada (cerca de 30 kg)! Mas pode ver que com ela 
nado muito bem! O mais difícil até aqui foi gravar no mar. A água estava muito gelada e, com o corpo frio, o tempo de apneia (as praticantes ficam sem respirar durante certo tempo dentro da água) é mais curto. Até cena com água-viva eu fiz! E não tive medo, tá?! Só no início. Quase morri (risos).

Será que o uso dessa cauda vai virar moda em praias, rios e piscinas pelo país?
Uma prima minha de 2 anos e 8 meses ficou louca com ela! A Débora Falabella também me contou que a filha (Nina,  de 7 anos) já comprou uma e que as mães vão querer me matar (risos)!

Foi tranquilo cair no rio com botos nas sequências?
Assustador no início, porque não sabia como era o temperamento deles. Eram animais selvagens e não tinha um adestrador para pedir “agora pula, agora rola”. Então, criei uma intimidade com eles para que tudo fluísse. Foram cinco dias nadando com os botos. 
E vi que são tão carinhosos que parecem cachorros. Um deles, chamado Estrela, me seguiu e ficava pedindo atenção. Perguntei até se podia levar um deles para a casa, mas não deixaram, claro (risos).

Hoje, depois de tanto treinamento, consegue ficar quanto tempo submersa?
Em movimento, dois minutos. E quatro em estática. No início, ficava no máximo 12 segundos. Foram duas horas de treino quase que diário durante três meses.  Aliás, saía da aula de mergulho e ia para a  de carimbó (ritmo paraense muito executado na novela). Bem puxado!

Mas gravar de biquíni não foi nenhuma encrenca, já que está em plena forma, certo?
Não, mas não tenho isso (de viver em função do físico). Aliás, acredito que dieta tem limite (risos). Cuidar da gente mesmo tem de ser prazeroso!

Já pensou em colocar silicone no peito?
Não, sou muito feliz com meu PP (gargalhadas).

Tem algum lado sirena?
Assim como a Ritinha, tenho dentro de mim essa relação com os bichos e a natureza. Do resto, nada. Ela sobe em árvore, corre muito, é moleca. Queria até ser mais como ela. Mas vivo nas regras sociais e ela desconhece todas!

Você chegou aos 30... Mudou muita coisa apesar de ainda ser muito jovem?
Ah, repensei tanta coisa. Me olhei no espelho e várias coisas vieram à minha cabeça. Agora sou uma mulher, e não mais uma menina. É como se tivesse fechado as portas para várias coisas. Desisti de agradar a todo mundo. Dizer não é maravilhoso, muito libertador.

E o que mais descobriu?
Comecei a conhecer meu corpo melhor e foquei nas prioridades, que são saúde, família e trabalho. Tento não atropelar as coisas. Ah, e perdi a crença naquele papo de que todo mundo quer meu bem. É ingênuo isso. Também aprendi a me perdoar, a me ver como um ser humano como todos.

O tempo a tornou feminista?
Olha, há tempos comecei a questionar essa coisa de gênero, preconceito... E entendo que a luta é pela igualdade entre homens e mulheres. Tenho amigos que não se permitem chorar, que quando estão doentes falam que estão bem, porque “precisam” ser machões... Eles precisam enxergar que qualquer pessoa no mundo necessita de ajuda.

08/04/2017 - 15:36

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