Jacqueline Sato: "Acho que não tem como negar que amo bichos!"

A atriz se divide entre as gravações de sua nova série e o trabalho a frente da ONG House of Cats, que resgata gatinho abandonados e os dá um novo lar

Daniel Vilela

Apaixonada por animais, ao todo, Jacqueline tem 6 gatos, 2 cachorros e 1 calopsita. | <i>Crédito: Patrícia Simões
Apaixonada por animais, ao todo, Jacqueline tem 6 gatos, 2 cachorros e 1 calopsita. | Crédito: Patrícia Simões

Talvez 365 dias tenham sido poucos para Jacqueline Sato. "Tenho a sensação de que 2017 durou três ou quatro anos, de tanto que vivi e cresci", brinca a atriz, que no início do ano foi destaque como a Yumi de Sol Nascente (2016). Agora, ela vê sua personagem ganhar novos ares, já que o folhetim de Walter Negrão, Julio Fischer e Suzana Pires será exibido na França. "Fiquei super feliz. Estou louca para pedir alguém de lá me mandar um trechinho da minha personagem falando em francês, deve ser surreal se ver dublada assim", diverte-se ela que, em 2018, estrelará a série (Des)Encontros, do canal fechado Sony.

Sem perder o fôlego, a estrela ainda conseguiu tempo para gravar o seu primeiro filme, Talvez Uma História de Amor, com estreia marcada para 2018. "Sou apaixonada por cinema, espero que esse seja o primeiro de muitos na minha trajetória", deseja a bela que, entre a telinha e a telona, ainda arranja tempo para se dedicar à ONG House of Cats, que resgata gatinhos nas ruas. "Antes eles eram resgatos por eu e minha mãe Magali,mas com o tempo conhecemos mais pessoas que trabalham com isto e o time foi se tornando mais forte", avalia.

Alguns dos bichanos, claro, fazem parte da vida dela até hoje. Ao lado do noivo, o diretor Rodrigo Bernardo, cuida de três gatinhos, Moti, Linda e Paul. Outros três ficaram na casa de seus pais, Magali e Nelson."Fora a gaiatada toda, ainda tenho 2 cachorros, também adotados, e calopsitas! Acho que não tem como negar que amo bichos", conta, nesta entrevista.

A atriz e o gato Paul, um de seus xodós, também resgatado das ruas

TITITI - Qual o balanço você faz deste ano de 2017?
Jacqueline Sato - Sem dúvidas, um dos melhores anos da minha vida. Seja falando profissionalmente, ou na vida pessoal. Tenho  muito o que agradecer a este ano que está acabando, cresci muito, mudei, mas mudei pra melhor! Aprendi com cada desafio.

Já começou com o pé direito com a reta final de Sol Nascente (2016), que prendeu todo mundo em frente à telinha...
Sol Nascente foi um trabalho lindo, que tive a honra de participar. Lembrarei sempre com muito carinho. E você falou aqui da reta final,  me fez lembrar o quanto a Yumi cresceu na trama, o quanto me surpreendi positivamente com os caminhos que a novela foi tomando, até casar em cena eu casei, ainda não tinha passado por esta experiência!  Ao mesmo tempo em que ela estava mais intensa, ela estava acabando, foi dando uma saudade pré-paga sabe (risos)?  Lembro muito bem que as últimas semanas de gravação foram de muita união e, ao mesmo tempo que celebrávamos o quanto a novela tinha sido boa, não queríamos que o grupo se desfizesse, mas acabamos pra cima, com uma audiência boa e com a sensação de dever cumprido e direto a primeiro festa, e depois descanso. 

Aproveitou para descansar após o folhetim?
Fiz a maior viagem que já fiz na vida! Com o final da novela eu fui rodar o mundo, pude conhecer lugares incríveis que não imaginava visitar tão cedo. Fui para a China, Japão e ainda visitei os Estados Unidos. Passei por Nova York, São Francisco, Los Angeles... amo aquele lugar e estou começando a plantar algumas sementinhas por lá. Voltei renovada, cheia de experiências, e realmente transformada por ter visitado tantos lugares diferentes. Viajar sempre amplia a consciência, e uma vez que ela foi ampliada, não tem como voltar atrás. E para mim, quanto mais eu vejo o mundo e a sua imensidão, mais me é nítido o quanto estamos interligados. 

Dizem que viajar enriquece a nossa alma. Pelo jeito, você concorda, não é?
As vezes parece que ir para longe nos faz nos reconectar com nós mesmos. E foi isto que aconteceu. Voltei com vontade realizar coisas que há muito tempo queria, mas ia postergando. Intensifiquei meus estudos em roteiro e passei a me arriscar mais nesta área. Iniciei aulas de violão, um instrumento que sempre quis tocar, iniciei o treinamento de Clown com a Cristiane Paoli Quito, que há anos queria fazer. E posso dizer que não só comecei com o pé direito na escadinha de 2017, como não parei de subir de degrau em degrau. Tem fases da vida que são tão intensas, acontece tanta coisa que parecem que duraram mais tempo do que o tempo cronológico real.

Você tem uma ONG, a House of Cats, que resgata gatinhos. Lembra da primeira vez que fez um resgate?
Bom, a primeira vez que resgatei gatinhos e fiz da minha casa um lar temporário foi quando eu tinha 9 anos de idade. Na época meus pais não tinham gostado muito, afinal os filhotes destruíram as cortinas da sala (risos), mas depois eles passaram a me apoiar, e escolhemos lugares mais adequados pra eles ficarem também. Isto foi se repetindo ao longo da minha vida, pois amo gatos, e vira e mexe cruzava com algum abandonado, levava pra casa pra cuidar e depois encontrava donos. Principalmente ninhadas. Eu, minha mãe Magali, irmãos, amigos compartilhávamos em nossos perfis pessoais no Facebook e Instagram. Graças a Deus sempre encontramos bons donos numa velocidade relativamente rápida. 

E como isso se tornou um trabalho social?
Como o volume foi aumentando , resolvemos criar um perfil e pagina específico pra eles, tudo de uma forma bem despretensiosa. Eu, minha mãe, e meu irmão ficamos testando alguns nomes e aí simpatizamos com este. Criamos uma página no Facebook  e um perfil no Instagram só para divulgar os gatinhos resgatados. Lá postamos fotos deles quando chegam, quando estão prontos pra serem adotados, e também deles com seus donos. Mostramos como se tornou a nova vida deles, pois os donos sempre nos mandam fotos e vídeos deles na nova casa. É gostoso poder acompanhar. 

Ao lado da mãe, Magali, a estrela cuida da ONG House of Cats

Sempre foi apaixonada pelos animais?
Sim! Sempre fui apaixonada pela natureza em geral. Sempre tive bicho. Agradeço muito aos meus pais por terem permitido este contato desde cedo. Acho muito importante. Vai além do puro prazer em ter um bichinho de estimação,  já te ensina muita coisa desde cedo. Respeito a natureza, aos animais, cria uma relação afetiva fortíssima, e também traz responsabilidades. Nos ensina sobre vida e morte, e claro, sobre amizade. Não consigo viver sem o contato com a natureza, sem os animais. Eles mudam minha energia, me sintonizam com minha essência da forma mais rápida e eficaz que conheço.

Quantos gatinhos você acabou se apaixonando tanto que se tornaram seus bichos de estimação?
Cada hora era um membro da família que se apaixonava por um, são 6 hoje no total. Metade fui eu que adotei, e os outros 2 foram minha mãe e 1 minha irmã... mas são todos nossos!  Fora a gaiatada toda, ainda tenho 2 cachorros, também adotados, e calopsitas!! É…acho que não tem como eu negar que amo bichos (risos).

Desses seis, quais os primeiros a alegrarem a sua vida?
O Guinness nasceu na portaria do meu condomínio. O Mew nasceu na garagem da Beth Ballet, escola de dança que frequento, levei a mãe e a ninhada toda para minha casa, encontramos donos pra todo mundo, mas com ele minha mãe quis ficar, não teve jeito.  Aí veio o Moti, que foi minha primeira paixão! Foi abandonado num dia de chuva lá na portaria. Ele era minúsculo, cabia na palma da minha mão, na palma mesmo, sem contar os dedos. Estava todo molhado e tremendo de frio, certamente morreria se não tivessem o encontrado. Foi a primeira vez que amamentei um gatinho, gente, como eu não ia me apegar?!

Mesmo com sua rotina puxada em Sol Nascente, deu para adotar mais bichanos?
Quando veio a novela, sabia que me mudaria da casa dos meus pais para um apartamento. Embora quisesse levar pelo menos o Moti comigo, pensei mais neles, que iria sentir muito esta mudança. Estão acostumados com a casa, o quintal e o convivio entre eles. Resolvi então adotar dois filhotes, que eu e meu noivo Rodrigo Bernardo batizamos de Linda e Paul. O Paul, foi encontrado  com uma fratura no femur dentro de um bueiro. Mais um que salvamos a vida e, hoje, é o maior gato da família. Já a Linda é menor, mas é a dominadora, acha que é a dona da casa e de nós, mas é muito carinhosa. Falo que, as vezes, parece até um cachorro, por que realmente vai atrás da gente onde que quer que vamos, nos espera na porta e tudo. E a última é a Yuki, que minha mãe adotou. É uma gatinha surda. Muito boazinha.

Recentemente gravou o longa Talvez Uma História de Amor, com o Mateus Solano. Curte fazer cinema? É uma atriz apaixonada pela sétima arte?
Foi, sem duvidas, uma das melhores experiências da minha vida!! A realização de um sonho mesmo, é meu primeiro longa. Amo todas as artes, mas arrisco dizer que esta é a favorita, a que mais me influenciou  e influencia até hoje. Sou apaixonada por cinema, sempre foi meu maior objetivo, afinal foi por causa de assistir a tantos filmes e me encantar com eles que acabei nutrindo a vontade de ser atriz. Sempre será minha principal referência, pois, quando era nova, minha família não tinha o habito de ir ao teatro, nem de assistir muita novela, então meu primeiro contato com a atuação, mesmo com espectadora, foi com o cinema. Então fazer meu primeiro filme, foi um marco. Espero que seja o primeiro de muitos.

Já deu uma espiadinha no resultado? Curtiu?
Posso dizer que comecei com o pé direito, o filme é lindo. Ainda não vi o resultado final, final, apenas um primeiro corte, que já estava incrível, então imagina quando ficar pronto. Sai em junho de 2018.  Digo que só de passar pelo processo, já foi incrível. A direção do Rodrigo Bernardo realmente me impressionou, os exercícios que ele dá para os atores nos ensaios, e nos aquecimentos antes de gravar, são muito interessantes. Ele dá muita atenção a nós atores, nos deixa muito livres e confortáveis em cena, vai nos conduzindo e criando juntos. 

No filme, sua personagem é uma professora de yoga. Já praticava antes ou precisou começar a praticar?
Não praticava não. Eu já havia praticado em preparações de corpo para atores. E engraçado é que eu já estava pesquisando lugares para começar a praticar quando fui chamada para o filme. Aí já agilizei logo uma aula que deixou de ser só para mim,  e passou a ser um laboratório. Esta parte da pesquisa, de descobrir novos universos por conta dos personagens é uma das coisas que mais gosto na nossa profissão. Sempre aprendo e carrego comigo algo dos personagens que já fiz, é inevitável. Atualmente estou fazendo Iyengar Yoga duas vezes por semana. Ajuda muito no equilíbrio mente, corpo, espírito.  Sem falar na postura, respiração, consciência corporal. É muito bom.

Costuma tirar um tempo no final de ano para refletir sobre o tempo que se passou e sobre o que vai chegar?
Sempre agradeço! Vou a Igreja, ou mesmo que não vá, reservo este momento de introspecção e conexão para agradecer pelo ano que passou e desejar que no Ano seguinte eu possa ser melhor do que fui no ano que está se encerrando.... Que Deus continue me protegendo e guiando, que eu não perca minha fé, e fé em todos os sentidos, na vida, nas pessoas, no futuro, esta vontade e crença de que as coisas podem ser melhores. Quando a gente perde isto, se perde também. 

O que costuma pedir para o próximo ano?
Peço sempre equilíbrio, sabedoria, e que eu saiba ler o sinais e minha intuição, por que sempre que me afasto dela, tem algo errado. Enfim, que eu possa seguir cada vez mais alinhada com o meu propósito.

Tem algum ritual que sempre faz?
Minha familia também mantém um hábito japonês de tomar Ozoni, que é a Sopa da Fortuna. É uma tradição lá no Japão. Eles dizem que esta sopa traz prosperidade para o Ano seguinte. Ela é a base de algas, legumes, e vai Moti também, eu amo! 

Volta para a telinha em 2018?
Sim! Agora na primeira semana de Janeiro já começo a gravar (Des)Encontros, uma série de comédia romântica para a Sony, também dirigida pelo Rodrigo Bernardo. Estou muito feliz em estar neste projeto!! Será minha primeira protagonista numa série. É um desafio delicioso e o melhor é que já conheço parte da equipe, então sei que estarei em ótimas mãos. Sei que o diretor é exigente, e exigente é bom, nos faz ir além. 

É bom encontrar uma pessoa que te ajuda a crescer profissionalmente e pessoalmente, não é?
Já tenho muito esta busca comigo mesma, de sempre me superar, sair do lugar que já conheço, testar coisas novas, pois para mim só assim é possível crescer. E quando a minha busca enquanto artista, encontra com a de outro artista que está nesta mesma busca, essa união ajuda a potencializar. Afinal, nossa arte é coletiva, não se faz sozinha.

 

19/12/2017 - 14:00

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