Joana Fomm: “Já não fazem mais novelas tão boas como Tieta, por exemplo”

A grande estrela, no ar na reprise da famosa trama de Aguinaldo Silva, pelo Viva, e também em Apocalipse, da RecordTV, abre o jogo para todos nós

A atriz volta à telinha em Apocalipse | <i>Crédito: Munir Chatack/RecordTV
A atriz volta à telinha em Apocalipse | Crédito: Munir Chatack/RecordTV

Uma das maiores atrizes de todos os tempos, Joana Fomm tem muita história para contar... E, sobretudo, orgulho e doces lembranças de uma premiada carreira. E hoje, para alegria dos fãs, ela pode ser vista na telinha em dose dupla: é a Teresa, de Apocalipse, da 
RecordTV, e a impagável Perpétua, de Tieta (1989), em reprise pelo canal Viva. A irmã bruxa de Tieta (Betty Faria), aliás, ainda faz muita gente parar a estrela nas ruas tamanha a repercussão da personagem até hoje.

Com muita emoção, a artista conta que se surpreendeu quando soube que Perpétua voltaria à telinha em reprise, e confessa: sente muita saudade dos parceiros que conheceu na Globo, onde trabalhou por décadas. “Bate uma saudade muito grande dos meus amigos, sobretudo dos que morreram, e eles são vários. Há pouco tempo me peguei chorando, fico muito triste.”

Contudo, apesar dos grandes companheiros de vida profissional e dos papéis de sucesso que fez na casa, em 2013, após 24 anos, Joana foi dispensada pela emissora. E isso levou a intérprete a enfrentar uma fase bem complicada. Ela havia acabado de vencer um câncer e descobriu  uma disautonomia (transtorno neurológico que afeta o controle das funções autônomas do sistema nervoso). 

Guerreira que só, Joana passou por cima de mais uma batalha e controlou suas pendências de saúde. Agora, após retornar à TV, de onde jamais deveria ter se afastado, brilha mais do que nunca! Vamos então ao bate-papo?


TITITI – No início do ano, falou-se que você talvez fizesse O Sétimo Guardião, de Aguinaldo Silva, na Globo, mas a novela foi adiada... Daí surgiu a Record... Ainda pensa em retornar à Globo? 
Joana Fomm – Ninguém falou nada comigo na Globo. Mas eu gostaria de fazer uma novela do Aguinaldo, sim... Eu mesma que falei para ele: ‘Quero fazer uma novela sua!’, porque me dou muito bem com as histórias dele. Faço bem os personagens, que são maravilhosos. Mais tarde faço novela com ele!

E sua Perpétua está aí, novamente, para provar que o texto dele foi superalinhado com você...
Sim! E a Salustiana, de Fera Ferida (1993), também foi maravilhosa. Porto dos Milagres (2001) também fiz com ele... Fiz muita novela do Aguinaldo e sei que dá certo. Mas em Porto dos Milagres ele ficou um pouco zangado comigo, porque fiz uma personagem boa demais e ele queria que fosse menos boazinha. Mas foi um belo trabalho, eu gostei demais. 

Acha que o público de hoje está mais careta?
Acho que as novelas estão mais caretas, não o público. Porque o público vê! Estão vendo a Perpétua, em Tieta,  no Viva, e gostam, acompanham... Mas não sei o que deu nas novelas! Tem um amigo meu, chamado Aguinaldo (risos), que diz assim: “Parece que desaprenderam (a fazer)”. E desaprenderam mesmo, porque as tramas não têm mais aquele sabor e cheiro que faz o espectador querer ver e acompanhar, como Tieta, por exemplo. Você olha uma novela de agora e vê todo mundo morrendo, se odiando, se batendo... eu não quero assistir mais! Tem que ter alguma coisa engraçada, né?

E Apocalipse na sua vida, hein?
Ah, está sendo ótimo participar dela! Atuar nela tem sido  diferente do que eu já havia feito, é um estilo de gravar diferente, estou me habituando. E também encontrei muitos amigos na Record. Por exemplo, estou gravando com a Luiza Tomé, e a primeira novela que ela fez foi Corpo a Corpo (1984), de Gilberto Braga, na qual contracenou comigo, como minha filha. E fez o papel porque o Gilberto achava que éramos muito parecidas. Até hoje ela brinca comigo: “Se não fosse você, eu não estaria na televisão!” Então, estou gravando com gente que gosto bastante e isso é muito bom. E o texto é maravilhoso, a novela é muito bem escrita (a autora é Vivian de Oliveira). 

O que mais gostou na sua personagem?
A bondade dela! Há muito tempo não fazia uma personagem boa (risos). E até comemorei, porque ela é boa, mesmo, não boazinha. E isso é muito legal de fazer!

Acha que bondade é algo que está faltando por aí?
Está faltando tudo (no Brasil)!!! É uma vergonha, né?!

Como anda a saúde?
Andei meio complicadinha porque tive câncer, mas fiquei completamente boa... E tenho disautonomia, mas está tudo bem controlado. 

Fala mais do retorno às telinhas?
Na verdade, nunca parei de trabalhar. Mesmo quando estava fora da Globo, fiz muitas participações na TV a cabo, como no GNT e na HBO. Mas  estava querendo muito fazer uma novela e agora adoraria um programa cômico. Nesse momento, é tudo que eu gostaria de fazer! Chamar o Lauro César Muniz para escrever e mandar ver!

Costuma assistir a você na reprise de Tieta?
Assisto, sim. E bate uma saudade muito grande dos meus amigos... Também sinto falta da paixão com que se trabalhava naquela época. A novela era feita com muito amor, e disso eu sinto saudade. 

E não existe mais essa paixão?
Não sei, mas acho que não. Hoje em dia, não fazem mais novelas tão boas como Tieta, por exemplo. Tem que ter uma história boa e com senso de humor para você poder se animar em fazer. As tramas de hoje não estão mais tão legais.

Acredita que há excesso de violência e polêmicas nas histórias atuais?
Acho! Muita violência, muita morte, muito tiro, muito roubo... Ah, não gosto, mesmo!

14/01/2018 - 17:00

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