José Mayer: “Na minha carreira faltava, mesmo, um grande vilão!”

O astro revela a TITITI tudo sobre seu personagem Tião Bezerra, de A Lei do Amor, e ainda fala da fama de pegador

Raquel Borges

Primeiro vilão em A Lei do Amor | <i>Crédito: Divulgação Globo
Primeiro vilão em A Lei do Amor | Crédito: Divulgação Globo
Sempre simpático e divertido, José Mayer falou com nossa reportagem a respeito do atual desafio na trama global das 9, A Lei do Amor. O galã brinca, ressaltando que não é mais o pegador das novelas, e contou sobre o primeiro vilão nesses 48 anos de carreira: o Tião Bezerra. Um tipo capaz até de matar!
   A trajetória de Mayer como ator de TV começou em 1979, numa participação no seriado Carga Pesada, no episódio O Foragido. Depois, ele não parou mais. Fez Plantão de Polícia (1979), Malu Mulher (1979), Caso Verdade (1979), Bandidos da Falange (1983)...  A estreia como galã de novelas rolou em Guerra dos Sexos (1983), no papel de Ulisses. Zé Mayer esteve também em Partido Alto (1984), A Gata Comeu (1985), De Corpo e Alma (1992), Fera Radical (1988), Laços de Família (2000), Presença de Anita (2001), Páginas da Vida (2006), Viver a Vida (2009), sempre contracenando com desempenho marcante.
Agora Mayer torce para A Lei do Amor estourar! “A gente sempre começa um trabalho inflado e com a autoconfiança lá em cima. Depois, a avaliação crítica e do público nos coloca na real. Porém, tenho um pressentimento bom com relação a esse trabalho.”

TITITI – 
O que podemos esperar de A Lei do Amor? 
José Mayer – Gosto muito de Maria Adelaide Amaral. É a primeira vez que ela e o Vicent Villari realizam um trabalho na faixa das 9 e farão tudo que puderem, lógico! Já a história vem muito bem... Vai mudar um pouco o cardápio do que a gente vinha oferecendo. 

Mas o folhetim fala 
também de política, assim como a anterior, Velho Chico.
Sim. É impossível fazer novela no Brasil sem abordar esse aspecto. Nosso folhetim tem essa trama política bem presente. O que não poderia deixar de ser, com o país nessa situação.

O que mais as pessoas querem ver nessa faixa de horário?
Meu Deus! Esse é o grande segredo do show business. Eu, por exemplo, fiz um musical recentemente chamado Kiss Me, Kate – O Beijo da Megera (2015) e não podia imaginar que cairia no gosto popular, que me premiariam por ele. Não pensava que faria o sucesso que fez. Suponho que vá acontecer o mesmo com A Lei do Amor.

Aproveitando, o que significa a lei do amor para você?
Para mim é Tião Bezerra. A chance de mostrar um vilão não maniqueísta, com feição humana, que pode se perder na multidão e entre as pessoas normais e comuns. 

Qual o perfil dele? Tião é, mesmo, capaz de tudo?
Conheço o Tião do que fiz até agora. Na minha visão, ele é um homem vitorioso, nascido da carência de 
tudo, inclusive, amorosa. Ele não teve o amor da mãe, foi rejeitado na sua primeira experiência sentimental. E construiu a partir daí um império. Ele é um homem de profundo autocontrole e racional. Hoje tem um grande amor pela família, não necessariamente correspondido. A mulher dele, a Helô (Claudia Abreu), é um tanto quanto difícil e vai me trair com aquele rapaz ali, o Pedro (sorri, apontando para Reynaldo Gianecchini). Eu serei um corno bem racional, bem sob controle, o que é exemplar, em se tratando de Brasil hoje (gargalhadas).

Mas o Tião ama alguém? 
Ama a família. Ele tem transas com prostitutas e tal. O que sei é que a Magnólia (Vera Holtz) o recusou violentamente no passado, e isso ficou marcado. A experiência deles foi fugaz, mas forte. Foi bom pra ele, mas não foi bom pra ela. Será que ele foi muito ruim de cama (risos)? 
 
Em quem se inspira 
para fazer o personagem?
No texto. Ele é a grande inspiração. A fonte é a criação literária do autor. Em cima dela vêm as parcerias, os atores com quem você troca cena, as propostas dos diretores, e aí vai. De Antonio Fagundes você espera uma criação fagundiana; do Lima Duarte você espera uma criação duarteana, e do Mayer uma criação mayense (risos).

E qual o gostinho de fazer 
o primeiro mau-caráter?
De muito ômega 3, porque é bastante texto (gargalhadas). Eu já estava um pouco desacostumado com isso. 

Era o tipo de que precisava 
na sua trajetória?
Sim. Na minha carreira faltava, mesmo, um grande vilão. Ela ficou um pouco confinada aos papéis de galãs e heróis. 

Falando em colegas... 
Quem você admira 
mais na profissão?
Eu adorava a Marília Pêra, adoro a Fernanda Montenegro, o Paulo José. Eles são  meus grandes modelos. Gente que trabalha muito, mas não fica só na dependência da inspiração. A arte de interpretar é um grande esforço, uma carpintaria mesmo, exige uma longa preparação.

O Thiago Martins faz o Tião 
na primeira fase. Como foi essa passagem de bastão?
Essa foi até uma sugestão minha. Eles queriam que eu fizesse tanto a primeira fase quanto a segunda. E disse: “Olha, não vai funcionar (risos)!” Não achei que seria interessante, o rejuvenescimento fica meio estranho.
 
Aprovou a escolha do ator?
O Thiago tem a ver comigo. Ele é um ator inteligente, e, no início das gravações, a gente se encontrou e definimos determinados caminhos. Colocamos essa humanização do vilão como uma proposta comum. Acho que ele realizou isso muito bem.

Seu personagem será 
traído. Acha que isso acaba com sua fama de pegador?
Pegador já era, né?! Olha pra mim, sou um velhotezinho (risos). Acho que a função da sedução está mais ligada à juventude. Adorarei se os escritores continuarem escrevendo boa dramaturgia e acontecimentos amorosos na vida de atores maduros. 

Se pudesse escolher ser outra pessoa, quem seria?
Nunca pensei nessa parada. Mas acho que uma linda e bem- amada mulher (risos).

Não se acha bonito?
Não! Sou bom ator. Me olho no espelho e me pergunto: “Pô, você conseguiu como?” Sou ator há muitos anos, desde a faculdade de letras... é muita estrada. Talvez pela prática a arte tenha ficado impregnada na minha pele, no meu corpo.

O Tião recebe garotas 
de programa. Vai ter 
cenas quentes?
Ahhh, já estou na idade de ter algum recato, né, meu amor (gargalhadas)! Nesses casos, preciso de luz de vela, candelabros, luz indireta, abajur...

Já que a trama fala 
de amor, o que ele representa pra você?
Amor é tudo! É o que justifica a vida, a alma da nossa ficção. Cada um inventa a sua ficção e o amor é o que molda tudo isso. Amor ao trabalho, à família, às pessoas, à mulher amada, ao homem amado, ao filho... Sem amor a vida é muito vazia. 

10/10/2016 - 19:36

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