Monalysa Alcântara: “A vida toda sofri preconceito por ser negra”

A Miss Brasil 2017 revela as dificuldades e alegrias até chegar aqui, perto de realizar o sonho de ser a mais bela do mundo

Patricia Battaglia

A bela e seu orgulho sem fim de presentar seu estado, o Piauí, o Nordeste e, enfim, seu país! | <i>Crédito: Paulo Santos/Editora Caras
A bela e seu orgulho sem fim de presentar seu estado, o Piauí, o Nordeste e, enfim, seu país! | Crédito: Paulo Santos/Editora Caras

Nascida em Teresina (PI), Monalysa Maria Alcântara Nascimento nunca teve o desejo de ser miss,  nem modelo. Mas quando foi descoberta por uma agência de modelos, aos 17 anos,  ganhou o Miss Teen Teresina. E Elton Carvalho, coordenador da empresa, foi quem lhe deu a ideia de concorrer ao Miss Brasil 2017. Ela mergulhou de cabeça e não é que a menina, de apenas 18 aninhos, ganhou? Monalysa embarcará em novembro para Las Vegas (EUA) a fim de tentar ser a próxima Miss Universo. 

Enquanto o grande dia não chega, a bela coleciona recordes. Por exemplo, é a primeira representante do Piauí a ganhar o concurso. E é a Miss Brasil mais jovem desde 1995. 

TITITI – Então, você caiu de paraquedas no Miss Brasil, certo?
Monalysa Alcântara – (Risos)... Então, quando eu tinha 15 anos meu coordenador, Elton Carvalho, me mostrou o universo de miss e ele é viciante. Na verdade, vi tudo aquilo como um mundo bastante fútil, eu tinha um preconceito muito grande com o concurso.

O Elton que te ajudou com tudo?
Ah, ele me ajudou muito! Tirou dinheiro do próprio bolso para me dar qualquer coisa que estivesse precisando, os passes dos eventos, academia, testes. O dinheiro que minha família possuía era contadinho, não tinha nenhuma sobra.

Chegou a passar necessidade na infância e adolescência?
Ah, dificuldade, sempre tive, né? A gente não pode comprar tudo o que vê, tem que esperar um momento, cada mês é uma coisa... Na minha família era assim: ganhou um computador, era o ano todo sem mais nada de presente de muito valor. Uma roupa legal era só daqui a uns cinco meses quando o cartão quitava. Até antes de ganhar o Miss Brasil, eu estava nessa realidade, vivia apertada, andando de ônibus e, às vezes, nem isso porque era caro. 
 
Qual a maior dificuldade no período de preparação para o Miss Brasil?
Tive dificuldade um pouco em tudo, sabe? Primeiro financeira, mas também na parte emocional, que precisa estar 100%, pois é muita pressão. Eu estava fora do meu estado, em Ilhabela (São Paulo), e fazia um frio... E convivi com 27 mulheres (as demais candidatas)! E é fogo, cada uma tem sua personalidade, sua cultura... 

Mas fez amizades?
Sim! Principalmente com Patrícia Garcia, do Paraná, e Iully Thaísa, de Pernambuco... A gente dividiu quarto. Amei elas, e vou levá-las para a vida! 

Como foi ganhar o Miss Brasil?
Olha, eu tinha fé em mim e em quem estava trabalhando comigo também. E tive tanto orgulho de representar o Nordeste... 

Fala mais da sua terra!
Ela é abençoada! Tem belezas naturais maravilhosas, o clima é demais. Temos um povo acolhedor e carinhoso, a chuva é quente. A culinária, nossa, é muito top! E temos vários artistas. É um lugar muito abençoado, nasci no lugar certo. 

Seu namorado, Emidio Fernandes, a apoiou nesse desafio? 
Meu namorado sempre teve fé em mim, a gente está há uns dez meses namorando sério. É pouco tempo, mas nossa convivência é muito boa. Ele veio para São Paulo (SP) e está morando pertinho de mim.

Em algum momento sofreu algum tipo de discriminação?
Nossa, sempre! A vida toda sofri preconceito por ser negra! Durante o concurso foi menos, mas tinha aquela coisa de desprezar o estado que eu vim, sabe? E depois do concurso sofri muitos ataques nas redes sociais, com mensagens tipo assim: “Ah, que cara de empregada”... Umas coisas bem horrorosas. 

Tem uma frase sua que diz: “Me chamaram de feia e hoje represento a beleza da brasileira”...
É aquela questão, a vida gira e por isso sempre mantive a minha fé. E sempre que tentaram me prejudicar eu pensava: “Calma que a sua hora está chegando”. E eu também sempre trabalhei caladinha, nunca fui de sair falando “ah, vou ganhar”. 

E é a terceira negra a ganhar o Miss Brasil, certo?
Sim, e fico muito orgulhosa de estar participando de uma nova era para tudo. O Miss Brasil acompanha o ritmo do país em relação a isso. Ao mesmo tempo que vemos histórias tristes e preconceituosas nas redes sociais, conseguimos ver passos importantes. O principal concurso de beleza do Brasil colocou uma negra ganhando e dando oportunidade a qualquer pessoa que mereça ganhar. Passar a faixa de uma negra para outra é muito importante (Monalysa recebeu a coroa das mãos de Raissa Santana, Miss Brasil 2016). 

O feminismo está presente na sua vida?
Sim, quero usar essa plataforma de miss para repassar ideias. Quero transmitir a mensagem de que não se deve perder a força de vontade. Vim de tão baixo, sou  de família humilde, como a maioria dos brasileiros. E quero ter uma estrutura melhor para minha vida, trabalhar com o que quiser. E, para isso, a gente precisa sair da zona de conforto. Sonhe, porém, mais do que isso, vá atrás do seu sonho. 

Compartilhe dicas de beleza...
Nossa, protetor solar sempre! E tirar a maquiagem com um demaquilante de confiança. Não usar sabonete do corpo no rosto e ter um para o seu tipo de pele. Ah, e não saio de casa sem corretivo. 

E como mantem esse cabelo tão lindo? 
Olha, tem duas coisas que faço e acho fabuloso! Para secar o cabelo, nem sempre tenho um secador. Então, geralmente, baixo o vidro do carro e deixo secar ao vento (risos)! Ou, por exemplo, pego uma camiseta de algodão e seco os fios. Para manter os cachos por mais tempo, durmo com o cabelo enrolado em algum pano.

Pra finalizar, conta pra gente os preparativos para o Miss Universo... 
Nossa, estou ansiosa! Nunca viajei pra fora. Toda miss tem uma preparação durante o reinado, e estou na última etapa que é o Miss Universo. Minha vida inteira está voltada para isso, acordo e durmo pensando nisso, vejo roupa, melhoro minha passarela, estudo inglês, tudo voltado para o concurso. Vou para lá dia 4 de novembro, quando entrarei no período de confinamento. E vou ter uma acompanhante lá que fala a minha língua, ajuda com horários e tudo. Torçam por mim!

10/11/2017 - 14:25

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