Nathalia Dill: “Não dá para parar de amar e desconfiar de todo mundo”

A atriz sai em defesa do romance e, divertida, confessa: o cachê não dobrou por conta das gêmeas Lorena e Júlia

Daniel Vilela

Nathalia Dill é as gêmeas Lorena e Júlia em Rock Story | <i>Crédito: Divulgação/TV Globo
Nathalia Dill é as gêmeas Lorena e Júlia em Rock Story | Crédito: Divulgação/TV Globo
Pelo jeito, não foi apenas Júlia, vivida por Nathalia Dill em Rock Story, que fisgou o coração de seu roqueiro preferido. A atriz também tem lá os seus dias de groupie, apelido dado às “tietes” que conquistam o amor e admiração de seus ídolos. Pois foi assim com o namorado, o ator e cantor Sergio Guizé. “Eu e ele sempre tocamos juntos, temos vários projetos na área musical”, diz a estrela, derretendo-se e declarando ser a admiradora número 1 da banda Tio Che, da qual ele é vocalista. “Adoro música porque emociona a gente”, dispara a intérprete.

O apaixonado casal se aproximou nos bastidores da novela Alto Astral (2014) e, desde então, não se desgrudou mais. Ou quase. Afinal, nos últimos meses, o artista embarcou para Paris, na França, a fim de rodar o filme Tudo Bom, Tudo Bem, dirigido por Willy Biondani. “Matamos a saudade pelas redes sociais”, entrega Nathalia, revelando ainda que as pessoas, nas ruas, costumam perguntar – e muito! – sobre os dois. “É um amor muito grande, né (risos)? Acho natural abordarem”, considera a bela.

No fundo, a beldade tem pouco tempo  para sentir saudade. Afinal, vem literalmente se desdobrando para dar conta das cenas de Júlia e de Lorena, a irmã gêmea – e má! – dela. “O bicho vai pegar”, comenta aos risos, e afirmando cheia de bom humor: não anda ganhando dobrado por conta de sua dupla na telinha. “Topei porque é uma oportunidade única e talvez nunca aconteça novamente”, pondera.

Em tempo: em 2016, Nathalia brilhou na telinha em três tramas. Além das gêmeas de Rock Story, fez uma participação especial em Êta Mundo Bom, como a jovem Anastácia, defendida depois por Eliane Giardini. Depois emendou com a vilã Branca, de Liberdade, Liberdade. “Todos os trabalhos foram presentes e muito divertidos”, assegurou, já pensando em suas merecidas férias. “Nem eu aguento mais ver minha cara na TV”, menciona a musa, às gargalhadas.

TITITI – Confessa, você também gosta de um rockstar, né?
Nathalia Dill – Ah, sou fã número 1 do Sergio Guizé e de todos da banda Tio Che. Já até participei de algumas apresentações dela tocando teclado. 

Qual sua relação com a música?
Amo e adoraria cantar. Por hobby, já fiz aula de canto, violão, piano... Toco instrumentos de percussão, como pandeiro. Só não componho.

Você e o Sergio pretendem subir ao altar em breve?
Casamento com véu e grinalda não precisa (risos)!

Sente-se preparada para ser mãe?
A mulher tem essa coisa do relógio biológico, que é cruel. Quando você começa a trabalhar e evoluir, esse tempo vem chegando. Não sei ainda quando vai ser. Mas ninguém está totalmente preparado, né? Nem mesmo quem já teve cinco filhos (gargalhadas).

O que o amor representa para você?
O que acho mais bonito nele é que acontece nas situações mais inusitadas. Quando as pessoas estão trabalhando, cheias de coisas, sofrendo. Às vezes, a pessoa está com uma e se apaixona por outra. O amor não tem momento certo, independe de idade, do gênero. 

Mas a Júlia não teve muita sorte no amor até aqui, certo?
Acho injusto colocar a pessoa traída ou enganada como a culpada, a que errou. Ela só fez o mais lindo de tudo: amou (o Alex, personagem de Caio Paduan, um bandidão daqueles e que usou Júlia no transporte de drogas). O outro é que errou. Quem tem que se restaurar, se reestruturar para a sociedade é ele, não quem se entregou. Não dá para parar de amar e desconfiar de todo mundo.

Então, o lance da Júlia com o Gui (Vladimir Brichta) começou na base da amizade e terminou em paixão... Acredita nesse desdobramento de sentimentos?
Claro! O amor dos dois é bonito de ver, justamente porque primeiro aconteceu essa amizade bem no meio do olho do furacão. Os dois se encontraram e se ajudaram. Surgiu uma cumplicidade. É tão bonito e tão raro hoje em dia.

Quem faz gêmeos na ficção ganha mais?
(Gargalhadas) Tem é mais trabalho, porque são mais cenas. Mas é uma carga horária tranquila e sem exageros. O cachê não é em dobro, 
mas não estou reclamando também, não (risos).

E tem uma dupla dessas na família?
Meu pai (o professor universitário Rômulo Orrico) tem um irmão gêmeo, mas não são exatamente iguais, diferentemente da Júlia e da Lorena. Elas são idênticas, mas com personalidades beeem distintas.

Aliás, como se sente nos papéis?
Nunca planejei fazer gêmeas na televisão e para mim é uma honra muito grande ter essa experiência, porque todas de que lembro na dramaturgia foram icônicas. Quem não se recorda de Ruth e Raquel (Eva Wilma e anos depois Gloria Pires) em Mulheres de Areia (1973 e 1993)? Era incrível, uma se disfarçava da outra e a gente identificava quem era quem. Não sei se vou ter essa chance de novo.

Se houvesse outro remake da trama, toparia revivê-las?
Claro, mas tem outros personagens incríveis que adoraria fazer. A Nazaré de Senhora do Destino (2004), por exemplo, era maravilhosa!

A Júlia é professora de balé... Você tem alguma experiência com dança?
Estou tentando deixar a Júlia com cara de bailarina profissional, juro! Quando criança, dancei muito e, mais velha, decidi voltar. Engraçado como é difícil, eu não tinha essa noção. Tinha perdido todo o meu alongamento. Às vezes, as pessoas perguntam se eu danço, porque tenho o pescoço comprido e postura. Acho que só isso ficou (risos). Até a adolescência fiz um monte de coisas, sempre trabalhei muito o corpo. Agora estou mais na ioga.

Como foi mudar bastante de visual mais de uma vez em 2016?
Uma maluquice! Estava ruiva para Liberdade, Liberdade e depois descolori. Mas não estava com vontade de mudar em nenhuma das vezes (risos). Tem hora que cansa. Quando pintei de loiro, achei estranho. Uma semana depois, estava amando. Daí, quando passei a ser morena, o-d-i-e-i. Agora estou curtindo. 

Após sua terceira novela em um ano, não pensa nas boas folguinhas?
Lógico! Mas recebi convites irrecusáveis neste ano. Trabalhos muito incríveis nos quais eu acreditava totalmente! 

Em 2017, você completa 10 anos de carreira. Sente-se realizada?
Tenho orgulho de tudo o que já fiz na televisão, no cinema e no teatro. Mas acho que mais aqui, na telinha, porque faço, no mínimo, uma novela por ano. Sou muito feliz por todas as pessoas que encontrei nesse tempo e nesse caminho.

Ainda se cobra muito?
É importante se cobrar, mas nunca a ponto de tirar o prazer. Acho isso muito importante, ainda mais na profissão de ator. Se virar pressão, melhor fazer outra coisa.

Críticas a incomodam?
Na nossa profissão, se não estivermos preparados para ouvi-las, estamos ferrados (risos). A gente precisa desses toques. Todo mundo precisa.

É ligada nas redes sociais?
Liberdade, Liberdade foi a primeira novela que acompanhei por elas. Mesmo! Tinha a curiosidade de saber como era esse retorno do público, mas sempre foi com  cautela, tinha medo, dificuldade (risos). Nunca fui de me expressar muito bem nelas, de escrever coisas e tal. Elas sempre foram um mistério pra mim.

O que te tira do sério?
A política tira todo mundo, né? No meu caso, injustiça também! 

06/01/2017 - 11:57

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