Nicette Bruno: "O meu melhor personagem é sempre aquele que virá!"

Sem jamais pensar em deixar a telinha ou os palcos, a grande diva se define como uma mulher movida a paixão!

Daniel Vilela

Nicette Bruno vive a simpática Elza em Pega Pega | <i>Crédito: Globo/Mauricio Fidalgo
Nicette Bruno vive a simpática Elza em Pega Pega | Crédito: Globo/Mauricio Fidalgo
Ao olhar para trás, ao longo dos 84 anos, sendo mais de 70 deles dedicados ao ofício de atriz, Nicette Bruno vê: a paixão a trouxe até aqui! Afinal, foi em cima de um palco, fazendo o que mais adora, que ela acabou deparando com um amor ainda maior que a profissão. Em 1952, durante a peça Senhorita Minha Mãe, a artista contracenou pela primeira vez com o saudoso Paulo Goulart. Dois anos depois, os dois se casaram fazendo nascer uma das mais belas e queridas famílias do meio. 

“Minha carreira e minha vida pessoal sempre foram interligadas. Vivi um casamento indescritível”, reafirma Nicette, que atualmente arranca risadas como a divertida Elza de Pega Pega.Mesmo sem o companheiro de toda uma existência e que nos deixou por conta de um câncer em 2014, a diva segue firme e forte. E apaixonada! Tanto que não tem planos de deixar a televisão tão cedo. Não quer saber de ser somente dona de casa. “A mulher tem um potencial incrível para se sentir realizada durante a vida. E fico feliz que cada vez mais elas têm tomado esse posto e pedido por igualdade.”

Assim, dividindo-se entre os ensaios para um espetáculo e as gravações da novela das 7, ela brinca que ainda encontra um tempinho – mas nem sempre! – para acompanhar o trabalho dos filhos, Beth Goulart, Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho, que arrasou como jurado e coreógrafo do Dancing Brasil, da Record TV. “A vida é corrida, mas gostamos de estar de olho no trabalho um do outro.”

TITITI – O que você e a Elza têm em comum?
Nicette Bruno – O bom humor, talvez. De resto, somos completamente diferentes. Afinal, a vida dela foi absolutamente diferente da minha. Ela é uma mulher do lar, que mora numa vila, se preocupa em saber da vida dos outros (risos). Mas não é alguém ruim, uma malvada. É totalmente do bem. Um pouco louquinha, né?

Considera-se alto-astral?
Completamente! Levo a vida positivamente, sempre com otimismo. Apesar de vivermos um momento delicado no país, em que é difícil estar para cima, vamos tocando o barco e torcendo para as coisas se resolverem da melhor maneira possível.

Acha oportuna a crítica que a novela faz sobre quem quer se dar bem a qualquer custo?
Só posso ver com bons olhos tudo o que se faz para demonstrar revolta ou asco com o que não é correto. Vivemos dias péssimos, mas é preciso ter esperança, há muita coisa boa que vem florescendo. Precisamos de força para superar as dificuldades que temos à frente e fé de que mudanças nos esperam.

Tem um Sherlock te esperando em casa?
Amo contracenar com o nosso mascote, inclusive! Tenho um cachorrinho delicioso, sim, chamado Juquinha. É um maltês que é o meu companheiro, uma gracinha!

Acompanhou o sucesso do Paulinho como jurado do Dancing Brasil?
Sim, mas não posso ser aquela mãe que acompanha tudo dos filhos, pois também trabalho, né? Quando dá, a gente assiste um ao outro. Tanto eu a eles, quanto eles a mim. 

Pensa em deixar a TV em algum momento?
Nunca, o meu trabalho é o que me mantém viva. Sempre venho para cá gravar as minhas cenas muito feliz! Só não consegui, desta vez, conciliar televisão e teatro!

Ficou puxado?
Não! Os horários coincidiram. Já fiz muito isso na minha vida. Estava em cartaz, em São Paulo, com a peça O Que Terá Acontecido com Baby Jane (na qual contracenava com Eva Wilma), mas sei que não deixei o pessoal na mão. Afinal, quem acabou me substituindo foi ninguém menos que Nathalia Timberg (risos). As gravações não me deixariam seguir por lá. Sou contratada, né? Tenho que honrar meus compromissos.

É um reconhecimento se manter na telinha? Infelizmente, grandes nomes da dramaturgia desejam trabalhar, mas são esquecidos...
Uma lástima! Sabe o que é pior? Não é só na nossa profissão que isso acontece, de deixarem os mais experientes de lado, infelizmente. Não temos, neste momento do país, segurança de nada. Mas, quem sabe, não podemos fazer algo, mudar esse cenário e deixar que isso não exista mais?

Tem algum papel que você não teve a oportunidade de viver, mas queria muito?
Tantas vezes desejei fazer um ou outro personagem que, quando vi, acabou sendo feito, e muito benfeito, por outra atriz que decide não projetar mais nada. Melhor assim. Meu amor, quer saber? O meu melhor personagem é sempre aquele que virá. O próximo!

Algum tipo em especial marcou muito?
Todos ficam na minha memória, querido. Só não me peça para repetir quais são, porque tem 70 anos de profissão aí, não é mesmo (gargalhadas)? 

Após sete décadas ainda é possível entrar em cena com a mesma paixão do início?
Vi de perto a paixão, vivi 60 anos de um casamento apaixonado! Minha profissão é tão arrebatadora quanto foi a minha relação com o Paulo. 

06/10/2017 - 14:48

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