Tarcísio Meira: “Eu nunca me senti um galã!”

Aos 81 anos, ele, que é um dos maiores astros do país, fala da trajetória brilhante, da eterna paixão por sua Glória e do novo vilão em A Lei do Amor

Daniel Vilela

Tarcísio Meira é Fausto em 'A Lei do Amor' | <i>Crédito: Artur Meninea/TV Globo
Tarcísio Meira é Fausto em 'A Lei do Amor' | Crédito: Artur Meninea/TV Globo
Ao notar os gravadores ligados antes de começar a entrevista que você lê a seguir, Tarcísio Meira não perdeu a chance de, aos risos, disparar: “Vocês têm certeza de que não são da Polícia Federal, né?” A brincadeira faz referência aos inúmeros crimes do corrupto político Fausto Leitão, seu personagem em A Lei do Amor, substituta de Velho Chico a partir do dia 3/10. Na novela assinada por Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, o grande astro dá vida ao ex-prefeito da cidade fictícia de São Dimas. Um vilão que, na segunda fase, após cometer muitas barbaridades, se mostra arrependido.

A transformação de Fausto, casado com a não menos bandida Mág (Vera Holtz), acontece, sobretudo, pelo amor que nutre pela amante, Suzana, interpretada por Regina Duarte. O folhetim, aliás, marca um reencontro profissional dos queridos artistas, como par romântico, 51 anos depois de A Deusa Vencida (1965), que marcou a estreia da estrela na TV. Aos 81 anos, e em seus 74 trabalhos na telinha, Tarcísio nem pensa em parar. Nem deve, né? Para trás, quer apenas o rótulo de galã, que o acompanha desde sua estreia em Noites Brancas (1959), na extinta TV Tupi. “Sou galã da Glória (Menezes) e só”, diz, ao elogiar a esposa, com quem está há 53 anos e com quem atuou em grandes sucessos da dramaturgia. 

TITITI – Conta para a gente um pouco sobre o Fausto?
Tarcísio Meira - Ele é o bom bandido. Mais que isso, quer ser o bandido bom (risos). Mas não sei muito sobre o passado e o futuro. E acho que essa é uma das premissas da novela, que reserva uma porção de mistérios, de coisas escondidas, do público e de nós, atores. Bem, pelo menos de mim andam escondendo algo (gargalhadas).

Uma redenção como a de Fausto, que se arrepende de todas as suas falcatruas, seria possível na vida real?
Todos nós mudamos o tempo todo, graças a Deus! Então acho perfeitamente possível que isso aconteça. Eu mesmo já fiz tantas coisas nesta vida que não gostaria de ter feito, e das quais me arrependo... Quem não tem? 

Ainda há algum artista com quem sonha trabalhar?
Nunca tinha contracenado com a Vera Holtz, por exemplo. Esse privilégio me foi dado agora. 

E houve algum feliz reencontro nesta novela?
Ah, a Regina Duarte, claro! Ela fez o primeiro folhetim da sua vida comigo, A Deusa Vencida. Era uma menininha, me sentia até meio pedófilo (risos). Antes ela só tinha feito um comercial. Lembro até hoje das geladeiras Frigidaire. Era uma gracinha!

Mas não tinham feito um par em Irmãos Coragem (1970)?
Estávamos na mesma novela, mas o par dela não era comigo... Quem teve a chance de ser seu namoradinho foi o Cláudio Marzo (risos).

Como é voltar a atuar com ela após tanto tempo?
Nós nunca deixamos de nos encontrar pela vida, mas foi um prazer. Gosto muito da Regina, como atriz e pessoa.

Em A Lei do Amor você faz um político, como nos capítulos iniciais de Velho Chico. É desencantado com a classe?
O desânimo que sentimos com a política acabou nos dando um ânimo muito grande. As coisas estão mudando muito mais rapidamente do que esperávamos, e isso é ótimo. Tudo sempre andou muito devagar e agora vão depressa. O povo nunca teve uma oportunidade como essa de poder fazer julgamentos. E isso, claro, é muito bom.

Você já interpretou uma infinidade de galãs. Há espaço para mais um?
Poxa, uma infinidade (risos)? Tenho só uns 15 anos de carreira (gargalhadas). Sempre desempenhei meus papéis com o maior orgulho, interesse e amor. Mas os galãs são sempre os piores papéis. São insípidos, incolores, inodoros. Eles não criam espaços, eles ocupam. O papel do galã é muito chato!

E por quê?
Porque ele tem que ser assimilado pela maioria das pessoas. Mas, mesmo assim, sempre procurei dar características mais fortes e específicas aos meus galãs. Nunca quis me repetir. Em Irmãos Coragem, acredito, não fiz do João um galã. Ele tinha esse algo mais que sempre procurei para os meus personagens. 

Então não se considera galã?
Eu nunca me senti um galã, sou só um modesto ator. Mas as pessoas viam isso em mim, queriam que assumisse esse papel, entende? 

Mas a sua esposa não acha você um partidão?
Eu é que acho a minha mulher uma “galoa” (risos). 

Crê que o rótulo o prejudicou em dado momento?
O fato de eu aparecer como um galã foi bem chato, porque esse rótulo vinha carregado de preconceito, de carga desrespeitosa. Sempre pensei em mim como um cara que apenas representava papéis, alguns deles bem irritantes (risos). Mas precisava crer neles, porque se não o fizesse, como podia esperar que alguém acreditasse? Mas esse conceito de galã vem de fora, não é algo que eu quis, criei ou cultivei. Foram contigências.

27/10/2016 - 15:23

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